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Pesquisa do Unicef aponta que 20% das crianças e adolescentes já enfrentaram violência sexual no ambiente digital

Levantamento internacional revela que 34% das vítimas não compartilharam o ocorrido com ninguém e que menos de 1% dos casos foi comunicado às autoridades.

Um estudo divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revelou um cenário preocupante sobre a segurança de crianças e adolescentes no ambiente virtual. De acordo com a pesquisa, uma em cada cinco pessoas nessa faixa etária já foi vítima de alguma modalidade de exploração ou abuso sexual com o uso de recursos tecnológicos. Apesar da gravidade das ocorrências, menos de 1% dos episódios chegou ao conhecimento das autoridades responsáveis.

Os impactos desse tipo de violência podem ser profundos e duradouros. O estudante Felipe de Assis, por exemplo, relatou a experiência traumática vivida por uma colega que teve imagens íntimas divulgadas na internet sem autorização. O episódio evidencia como a exposição indevida de conteúdos privados pode comprometer a dignidade, a segurança emocional e a vida social das vítimas.

A investigação, conduzida pelo Unicef em colaboração com a Interpol, ouviu crianças e adolescentes entre 12 e 17 anos, distribuídos por 21 países. Os resultados mostram que aproximadamente 60% das situações de violência sexual mediada pela tecnologia ocorreram em redes sociais e aplicativos de mensagens. Outros 14% dos casos foram registrados em ambientes de jogos eletrônicos online.

Os dados também identificaram diferentes formas de abordagem e exposição sexual indesejada. Entre os participantes, 14% afirmaram ter recebido imagens de conteúdo sexual sem solicitação prévia. Outros 9% relataram que foram pressionados ou convidados a enviar fotografias ou vídeos de partes íntimas do corpo, enquanto 5% receberam propostas envolvendo dinheiro, presentes ou outras vantagens em troca de imagens sexuais.

https://g1.globo.com/jornal-nacional/video/estudo-revela-que-uma-em-cada-cinco-criancas-e-adolescentes-sofreu-abuso-pela-internet-15149854.ghtml

A especialista em proteção contra violências do Unicef, Luiza Fachin Teixeira, destacou a importância de fortalecer as ações preventivas no Brasil. Segundo ela, a entrada em vigor do ECA Digital representa um avanço significativo na legislação de proteção infantojuvenil. Entretanto, a existência de normas jurídicas precisa ser acompanhada por iniciativas educativas capazes de orientar famílias, instituições de ensino e os próprios jovens sobre os perigos presentes na internet. A especialista ressaltou que o ambiente digital oferece oportunidades de aprendizagem, comunicação, acesso à informação e liberdade de expressão, mas também apresenta ameaças que precisam ser reconhecidas e prevenidas.

Outro aspecto preocupante identificado pela pesquisa está relacionado ao silêncio das vítimas. Segundo o levantamento, 34% das crianças e adolescentes que sofreram abuso virtual nunca revelaram a violência a outra pessoa. Entre aqueles que compartilharam a experiência, 24% procuraram um amigo, enquanto apenas 12% relataram o ocorrido à própria mãe. Esses números demonstram a necessidade de ampliar os espaços de acolhimento, diálogo e orientação para que as vítimas se sintam seguras ao denunciar situações de violência.

Diante dos riscos associados ao uso das plataformas digitais, uma escola de Belo Horizonte decidiu incorporar o assunto ao conteúdo pedagógico neste ano. A instituição passou a oferecer atividades direcionadas aos estudantes do ensino médio, com a participação de um especialista em direito criminal, abordando estratégias de prevenção e comportamentos seguros na internet.

Responsável pelas orientações em sala de aula, o professor Lucas Andrade enfatiza a importância da participação familiar na proteção dos adolescentes. Para o educador, pais e responsáveis devem acompanhar de maneira próxima a utilização das redes sociais pelos filhos, buscando compreender suas interações digitais e identificar possíveis situações de vulnerabilidade.

A pesquisa reforça a importância de medidas de prevenção, educação digital e fortalecimento dos mecanismos de denúncia. A atuação conjunta de famílias, escolas, autoridades e plataformas tecnológicas é fundamental para enfrentar a exploração sexual infantojuvenil e promover ambientes digitais mais seguros.

o abuso virtual para alguém, 24% contaram para um amigo e 12% para a mãe. São tantos riscos, que uma escola de Belo Horizonte trouxe neste ano o assunto para a grade curricular. A aula, com um especialista em direito criminal, mostra para estudantes do ensino médio como eles podem se proteger no ambiente virtual. O professor Lucas Andrade orienta os jovens em sala de aula e diz que os pais devem acompanhar as redes dos filhos de perto.

“A verdade é que a internet hoje não é terra de ninguém. Ela é uma terra regulada por leis, por normas. É um problema criminal. Não é só um problema de escola. Precisa ser feita a ocorrência, a denúncia ao Ministério Público”, afirma Lucas Andrade, professor de Ciência do Direito.

 

Fonte: G1

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