“Mayday! Vamos atingir o solo”: gravação revela momentos de tensão antes de queda de avião nos EUA
Uma gravação das comunicações entre uma piloto e controladores de tráfego aéreo revela os instantes de tensão que antecederam a queda de um avião nos Estados Unidos, neste domingo (1º). Durante o contato com a torre, a tripulante informou que a aeronave enfrentava formação de gelo e turbulência, declarou situação de emergência e alertou sobre a possibilidade de colisão com o solo: “Vamos bater no chão”.
O acidente ocorreu em Palm Beach, no estado da Flórida. A aeronave, um Learjet 60, caiu em uma região residencial e explodiu nas proximidades de uma avenida de grande circulação. De acordo com o secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, os nove ocupantes morreram.
O registro das conversas, divulgado pelo site LiveATC, plataforma especializada no monitoramento de comunicações entre aeronaves e aeroportos em diferentes países, mostra que a tripulação já enfrentava dificuldades alguns minutos antes do acidente.
Em uma das transmissões, os pilotos relataram que o avião voava a aproximadamente 35 mil pés de altitude, enfrentando turbulência moderada e condições favoráveis à formação de gelo.
A tripulação também comunicou que a temperatura do lado de fora da aeronave havia atingido -47°C. Apesar de a piloto informar que o acúmulo de gelo estava sob controle, a turbulência permanecia em intensidade moderada.
As condições se tornaram ainda mais preocupantes quando o avião passou a atravessar uma área de precipitação. Diante da situação, a piloto solicitou autorização para elevar a altitude para 37 mil pés, o equivalente a aproximadamente 11,3 quilômetros. Pouco tempo depois, a tripulação declarou emergência.
“Mayday, Mayday! Estamos descendo 10 mil pés por minuto”, afirmou a piloto durante a comunicação.
A expressão “Mayday” é reconhecida internacionalmente como um pedido de socorro utilizado na aviação em situações de extrema gravidade, quando há necessidade de assistência imediata.
Na continuidade da gravação, a piloto comunicou que o avião apresentava velocidade excessiva e perdia altitude rapidamente, chegando a registrar uma descida de 20 mil pés, aproximadamente seis quilômetros, por minuto.
Em meio à emergência, a tripulante fez um alerta sobre a iminência do impacto: “Vamos bater no chão”. Em outro momento, ela gritou: “Olhe lá fora, Jack, olhe lá fora! Estamos sem tempo”.
Informações de rastreamento analisadas pela Associated Press (AP) indicam que o Learjet 60 pode ter alcançado uma velocidade de descida de 30 mil pés, cerca de nove quilômetros, por minuto. Esse ritmo de perda de altitude ultrapassava os parâmetros previstos no projeto da aeronave.
Os registros também apontam que o avião teria realizado uma inclinação acentuada para o lado direito pouco antes de atingir o solo.
As causas da tragédia ainda não foram determinadas. Um especialista em segurança aeronáutica consultado pela Associated Press explicou que tanto a formação de gelo quanto a turbulência podem ter influenciado a ocorrência, embora outros elementos precisem ser examinados antes de qualquer conclusão.
A investigação ficará sob responsabilidade do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB). Entre os aspectos que deverão ser analisados estão as condições meteorológicas, a presença de gelo, a intensidade da turbulência e as decisões adotadas pela tripulação durante a emergência.
Entenda como aconteceu a queda do avião
O Learjet 60 envolvido no acidente era uma aeronave particular que havia partido do aeroporto de Austin, no Texas, às 9h36, pelo horário local, correspondente às 12h36 em Brasília. O destino previsto era as Bahamas, e nove pessoas viajavam a bordo.
A queda foi registrada por volta das 12h50, horário local, equivalente às 16h50 em Brasília, pouco mais de duas horas depois da decolagem. Até a última atualização das informações, as identidades das vítimas não haviam sido divulgadas.
Vídeos registrados por ocupantes de veículos que circulavam pela região mostram o momento em que o avião perde altitude, atinge o chão e provoca uma explosão nas proximidades de uma avenida movimentada.
A força da colisão deixou uma cratera no pavimento, lançou fragmentos de asfalto ao redor e produziu uma grande coluna de fumaça escura. Conforme informações da Associated Press, o ponto de impacto ficava a poucos metros de residências e muito próximo de automóveis que trafegavam pela área.
O governador da Flórida, Ron DeSantis, declarou que, inicialmente, não havia registros de mortos ou feridos entre as pessoas que estavam em solo no momento da queda.
Como medida preventiva, as autoridades começaram a retirar aproximadamente 600 moradores de uma comunidade de casas móveis situada nas proximidades do local atingido.
A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) informou que enviará profissionais para auxiliar os trabalhos de investigação coordenados pelo NTSB. A apuração deverá esclarecer a sequência de acontecimentos que levou à queda e identificar os fatores envolvidos no acidente.
Fonte: G1

