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Cubanos encaram fome, abandono e medo para entrar no Brasil com coiotes

“Você passa até 36 horas sem energia para ter apenas duas horas de luz”. A declaração do cubano Eliezer Pantoja, de 23 anos, que vive em Roraima há 4 meses, explica porque é cada vez maior o número de cubanos que cruzam a fronteira do Brasil com a Guiana em busca de uma vida melhor. A ilha no Caribe, de onde eles vêm, enfrenta há décadas uma crise econômica e energética.

Antes de chegar aqui, no entanto, a jornada dos cubanos é marcada por medo, fome, abandono e, principalmente, exploração financeira. Embalados por uma mistura de esperança e desinformação, os migrantes são enganados por coiotes e gastam, muitas vezes, dinheiro de uma vida inteira para cruzar a fronteira.

🛂 Há rotas e mecanismos legais para que estrangeiros entrem em território brasileiro e solicitem, gratuitamente, refúgio. O desconhecimento desta informação é eixo central de um esquema que lucra às custas de fake news.

A principal rota clandestina explorada pelos coiotes é que separa Lethem, na Guiana, de Bonfim, em Roraima – de Cuba a Guiana, os migrantes viajam de avião. As duas cidades na fronteira são separadas pelo Rio Tacutu, que é cruzado durante as noites e madrugadas a bordo de botes.

Um dos aliciados foi Evelio Vázquez, de 45 anos, um cubano que criou informalmente uma associação para apoiar os conterrâneos que chegam a Boa Vista, em Roraima.

Os pais do cubano Evelio, por exemplo, venderam a casa da família por apenas 5% do valor real do imóvel para financiar a viagem.

“Meu pai e minha mãe eram profissionais e o único patrimônio que tinham era essa casa. Eles venderam tudo para que eu pudesse vir para o Brasil, contou.

 

A passagem aérea de Havana para Georgetown, na Guiana, custa cerca de US$ 1,5 mil (R$ 7,6 mil) para adultos e US$ 1,1 mil (R$ 5,6 mil) para crianças. A aquisição deve ser feita pela ‘agência’ dos coiotes.

A partir da chegada à Guiana, os coiotes passam a cobrar pelos deslocamentos. Entre Georgetown e Lethem, os cubanos pagam entre US$ 350 (R$ 1,7 mil) e US$ 500 (R$ 2,5 mil) por pessoa. Para os guianeses, porém, o mesmo trajeto custa cerca de US$ 80 (R$ 400).

O g1 esteve em Lethem e apurou que o transporte até Bonfim custa cerca de R$ 100 para brasileiros. Os cubanos, no entanto, relataram pagar até US$ 450 (R$ 2,2 mil) pelo mesmo serviço.

Há ainda os chamados “pacotes completos”, oferecidos pelos coiotes para organizar toda a viagem a partir da Guiana. Nesses casos, os valores variam entre US$ 2,8 mil (R$ 14,2 mil) e US$ 10 mil (R$ 50,8 mil), incluindo o transporte até Boa Vista, outras capitais brasileiras, como Florianópolis e Curitiba, e até destinos em países vizinhos, como o Uruguai.

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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