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Advogada encontrada morta com filho de 6 anos em Cotia era de família tradicional da política paulista

Anna Gabriela Faria Lima, de 29 anos, tinha parentesco com o brigadeiro Faria Lima, ex-prefeito de São Paulo. Ex-companheiro é o principal suspeito das mortes e teve prisão temporária decretada pela Justiça.

A morte da advogada Anna Gabriela Faria Lima, de 29 anos, e de seu filho, Raphael Faria Lima Ferrari, de apenas 6 anos, provocou grande repercussão na Grande São Paulo. Os dois foram encontrados sem vida na noite de terça-feira (3 de novembro), dentro de um apartamento localizado no bairro Lajeado, em Cotia.

Além das circunstâncias que envolvem o crime, a identidade da advogada chamou a atenção por sua ligação com uma família de longa trajetória na política paulista. Anna Gabriela era filha de um ex-vereador da capital e descendente de José Vicente de Faria Lima, militar e ex-prefeito que dá nome a uma das avenidas mais conhecidas de São Paulo.

O principal investigado pelas mortes é o empresário Eric Conrado Alves de Almeida, de 41 anos, que manteve um relacionamento amoroso com a vítima. A Polícia Civil apura o caso como feminicídio e vicaricídio, enquanto busca esclarecer a motivação e a dinâmica dos assassinatos.

Advogada tinha familiares que ocuparam cargos importantes na política

Anna Gabriela era filha de Paulo Roberto Faria Lima, ex-vereador de São Paulo, e de Marcia Bedinelli Faria Lima. Seu avô, José Roberto Faria Lima, também participou da vida pública, exercendo mandato como deputado federal durante o período da ditadura militar.

José Roberto, formado em Economia pela Universidade Mackenzie, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados em 1970, pela Arena, sendo reeleito em 1974. Também esteve à frente da Prodam, empresa municipal responsável por serviços de tecnologia e processamento de dados da Prefeitura de São Paulo.

O pai da advogada, Paulo Roberto Faria Lima, teve o nome envolvido em um esquema de corrupção investigado na capital paulista durante a década de 1990.

O episódio ficou conhecido como “Máfia da Propina” ou “Esquema dos Estacionamentos” e envolvia cobranças ilegais feitas a comerciantes da região de Pinheiros, na Zona Oeste.

Conforme informações do Tribunal de Justiça, Paulo Roberto e outros 16 envolvidos foram condenados por improbidade administrativa. A decisão tornou-se definitiva em junho de 2018.

Parentesco com o brigadeiro Faria Lima

Outro aspecto da história familiar de Anna Gabriela é sua ligação com José Vicente de Faria Lima, que administrou a cidade de São Paulo entre 1965 e 1969.

O militar construiu uma carreira na Aeronáutica, alcançando o posto de brigadeiro do ar em 1958. Posteriormente, assumiu a administração municipal e ficou associado a importantes transformações na infraestrutura urbana paulistana.

Durante sua gestão, a cidade passou por intervenções viárias que contribuíram para a expansão da malha de transportes. Entre os projetos relacionados ao período estão obras nas marginais dos rios Tietê e Pinheiros, na Avenida 23 de Maio e na Radial Leste.

Foi também durante sua administração, em dezembro de 1968, que tiveram início as obras do Metrô de São Paulo.

José Vicente de Faria Lima morreu em setembro de 1969. Seu nome foi posteriormente atribuído à Avenida Brigadeiro Faria Lima, que se transformou em um dos principais centros empresariais e financeiros do país.

Ex-companheiro é investigado pelas mortes

As investigações apontam Eric Conrado Alves de Almeida como principal suspeito do assassinato de Anna Gabriela e de seu filho.

De acordo com os elementos reunidos pela Polícia Civil, imagens de monitoramento do condomínio mostram o empresário chegando ao local acompanhado da advogada e da criança por volta das 21h35 de domingo (1º).

Na madrugada seguinte, aproximadamente às 2h14 de segunda-feira (2), Eric foi registrado deixando o condomínio sozinho.

Os investigadores informaram que, durante esse intervalo, não foram identificadas movimentações de outras pessoas entrando ou saindo do apartamento onde as vítimas foram posteriormente encontradas.

A Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária do empresário por 30 dias. Até a tarde desta quarta-feira (4), ele ainda era procurado pelas autoridades.

Anna Gabriela e Eric, suspeito de matar a ex-companheira e o filho dela — Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Familiares relataram ameaças e comportamento controlador

Os depoimentos colhidos pela polícia revelaram informações sobre o relacionamento entre Anna Gabriela e o empresário.

Segundo familiares e pessoas próximas, os dois viviam uma relação marcada por desentendimentos, separações e reconciliações.

Testemunhas também relataram supostos episódios de violência doméstica, perseguição, ameaças e tentativas de controlar a rotina da advogada.

Entre as declarações apresentadas aos investigadores, estão relatos de que Eric teria utilizado uma arma de fogo para intimidar a ex-companheira.

Uma das hipóteses examinadas pela Polícia Civil é que o crime tenha relação com a dificuldade do investigado em aceitar o encerramento do relacionamento.

As autoridades trabalham com a possibilidade de que a morte do menino tenha ocorrido no mesmo contexto de violência direcionada à mãe.

Informação recebida por escritório de advocacia levou à descoberta dos corpos

A localização das vítimas ocorreu após uma comunicação feita à Delegacia de Cotia.

Segundo o boletim de ocorrência, uma advogada procurou a unidade policial depois que um escritório de advocacia de Campinas recebeu uma ligação atribuída a Eric.

Durante a conversa, o empresário teria informado que havia duas pessoas mortas em um apartamento e indicado o endereço do imóvel.

Diante da denúncia, uma equipe policial foi enviada ao condomínio, situado na Estrada Manoel Lages do Chão.

Com autorização da síndica, os agentes acessaram o apartamento e encontraram Anna Gabriela e Raphael mortos, lado a lado, sobre uma cama de casal.

O automóvel da advogada também foi localizado nas proximidades.

Família havia comunicado o desaparecimento

Antes da descoberta dos corpos, a mãe de Anna Gabriela já havia procurado a polícia para relatar que não conseguia localizar a filha e o neto.

Segundo as informações apresentadas, a advogada teria informado que sairia para jantar com uma amiga no domingo (1º). Entretanto, após perder contato com os dois, familiares buscaram esclarecimentos sobre o suposto encontro.

A amiga mencionada negou que tivesse combinado qualquer compromisso com Anna Gabriela, aumentando a preocupação da família.

O desaparecimento passou a ser investigado até que a informação sobre a presença dos corpos no apartamento chegou às autoridades.

Polícia investiga feminicídio e vicaricídio

A Polícia Civil registrou o caso como feminicídio e vicaricídio, considerando os indícios de violência contra a mulher e a possível utilização da morte de uma pessoa próxima como forma de atingir a vítima.

O feminicídio envolve o assassinato de uma mulher por razões relacionadas à sua condição feminina, incluindo situações de violência doméstica e familiar.

Já o termo vicaricídio é utilizado para descrever situações em que filhos ou outras pessoas com vínculos afetivos são mortos com a intenção de provocar sofrimento ou atingir uma mulher.

No caso de Cotia, os investigadores buscam determinar as circunstâncias exatas das mortes e esclarecer se o assassinato de Raphael esteve relacionado à violência praticada contra sua mãe.

A investigação permanece em andamento, com análise de imagens, depoimentos e elementos periciais. O empresário continua sendo tratado como suspeito, e sua responsabilidade criminal dependerá da apuração e das decisões judiciais.

Fonte: G1

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