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Universidade de Maringá expulsa e suspende estudantes de Medicina após mensagens discriminatórias contra bolsistas e referências ao nazismo

Estudantes do curso de Medicina de uma instituição particular de Maringá, no norte do Paraná, receberam punições disciplinares após a divulgação de mensagens com conteúdo discriminatório contra colegas bolsistas e referências ao nazismo em conversas virtuais. A UniCesumar confirmou que parte dos envolvidos foi expulsa da universidade. Segundo a instituição, os alunos penalizados participaram de manifestações ofensivas direcionadas a estudantes que conseguiram ingressar no ensino superior por programas de inclusão educacional, entre eles o Programa Universidade para Todos (ProUni).

As mensagens começaram a circular após a divulgação dos resultados das eleições presidenciais de 2026, que terminaram com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.

Universidade conclui investigação e aplica medidas disciplinares

Neste sábado (31), a UniCesumar informou ao g1 que finalizou a sindicância interna instaurada para investigar o episódio. Após analisar a participação dos estudantes, a instituição decidiu aplicar diferentes sanções, incluindo expulsões, suspensões e advertências, levando em consideração a gravidade das atitudes atribuídas a cada envolvido.

Apesar da confirmação das punições, a universidade não divulgou o número de acadêmicos atingidos por cada medida. A informação foi solicitada pela reportagem, mas a instituição optou por não apresentar os quantitativos.

Em comunicado oficial, a UniCesumar declarou que rejeita de maneira enfática qualquer manifestação de discriminação ou preconceito.

O caso também chegou ao Ministério Público Federal (MPF), que confirmou o recebimento de uma denúncia relacionada ao conteúdo das conversas e informou que está apurando os fatos.

Mensagens foram enviadas em um grupo com estudantes de medicina — Foto: Arquivo

Foto: Arquivo

Conversas apresentam ataques contra alunos beneficiados por programas sociais

As manifestações ocorreram no domingo (25), em um grupo de mensagens utilizado por estudantes da turma de Medicina. Durante a troca de mensagens, alguns participantes fizeram comentários depreciativos sobre colegas que estudam com auxílio de bolsas concedidas por programas sociais.

Uma das publicações apresentava uma comparação entre estudantes que custeiam integralmente a mensalidade e aqueles que conquistaram uma vaga mediante processos seletivos acadêmicos. O autor da mensagem demonstrava considerar superior a condição de quem dispõe de recursos financeiros para pagar aproximadamente R$ 15 mil mensais pelo curso.

A declaração provocou reação de outra estudante, que contestou os comentários discriminatórios e destacou que a situação econômica dos acadêmicos não determina sua capacidade profissional. Ela também ressaltou que todos os alunos, independentemente da modalidade de ingresso ou do pagamento das mensalidades, terão acesso à mesma formação e poderão obter o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM), desde que cumpram os requisitos legais.

Referências ao nazismo também aparecem nas mensagens

Além dos ataques direcionados aos bolsistas, as conversas apresentaram imagens e expressões relacionadas à ideologia nazista, ampliando a repercussão das denúncias.

Entre os conteúdos compartilhados estava uma fotografia de integrantes do exército nazista, acompanhada de menções à expressão “leite cru”. O termo tem sido utilizado em determinados ambientes virtuais associados a grupos que promovem ideias de supremacia branca.

Os registros das conversas foram divulgados por meio de capturas de tela, nas quais aparecem tanto as manifestações contra estudantes beneficiados por programas sociais quanto os conteúdos com referências ao nazismo.

Ministério Público Federal investiga o episódio e CRM-PR se manifesta

A repercussão das mensagens ultrapassou o ambiente universitário e motivou a atuação de órgãos externos. O Ministério Público Federal confirmou que recebeu uma representação sobre o ocorrido e iniciou a apuração das denúncias.

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) também se pronunciou sobre o episódio. Em manifestação pública, o órgão afirmou que as condutas relatadas contrariam diretamente os princípios fundamentais estabelecidos no Código de Ética do Estudante de Medicina.

Com o encerramento da sindicância administrativa, a UniCesumar confirmou a adoção das penalidades internas, enquanto o caso permanece sob análise do Ministério Público Federal.

Fonte: G1

 

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