Professor é ameaçado por alunos dentro e fora de escola estadual no Paraná: ‘Falaram que iam me matar e matar meus filhos’
Desentendimento começou depois que educador pediu que alunos parassem de bater na parede de uma sala vizinha e foi recebido com agressividade. Na saída, os estudantes cercaram o docente, que estava com os filhos.
Um professor que dá aulas no Colégio Estadual Costa Viana, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, relata ter sido ameaçado por estudantes dentro e fora da instituição de ensino.
O educador, que optou por não ter a identidade revelada, relata que foi ameaçado em dois momentos, na última quinta-feira (2): primeiro quando chamou a diretora para conversar com os alunos e, depois, quando ia embora com os dois filhos, de 12 e 14 anos.
Um vídeo mostra os alunos do lado de fora da escola discutindo com o professor, que está do lado de dentro. Um dos estudantes envolvidos na confusão chega a subir na grade. Por se tratarem de adolescentes, os nomes dos envolvidos também não serão divulgados, como determina a legislação brasileira.
“Foi muito humilhante o que eu passei. Meus filhos tiveram crise de pânico. Eu tenho medo pela minha integridade física. Eu tenho medo de estar passando pelos corredores, me cercarem de volta e me agredirem. Eu queria que essas pessoas ficassem longe de mim. Aqui é o meu local de trabalho. Trabalhar com medo não é certo. A gente já é professor, já tem as dificuldades de sala de aula. Agora, ficar trabalhando com medo de que aconteça alguma coisa é muito humilhante”, desabafa o educador, que é professor há 18 anos e trabalha no mesmo local há oito.
Barulho durante aula iniciou discussão
Segundo o professor, a confusão começou por volta das 11h, quando alunos da sala vizinha àquela em que ele estava dando aula começaram a bater na parede que dividia as salas. O professor pediu que os alunos parassem com o barulho e não foi atendido.
“Os alunos começaram a bater muito e atrapalharam a minha sala, a minha concentração, os meus alunos. Eu me destinei até essa sala de aula, pedindo para que os alunos parassem de bater. Eles falaram que não iam parar de bater e foram muito agressivos comigo. Eu chamei a intervenção pedagógica da direção da escola, e os alunos, em vez de ouvir a diretora, se levantaram para me agredir fisicamente”, relembra o professor.
De acordo com ele, as agressões só não se concretizaram por causa da intervenção da diretora e de uma inspetora da escola.
Horas depois, durante a saída, o professor foi abordado novamente pelos estudantes.
“No horário de saída da escola, eu peguei meus filhos. Nesse momento, os alunos começaram a me ofender, me xingaram, me ameaçaram, me cercaram. Tentei chegar perto do meu carro para poder ir embora para minha casa. Eles me ofenderam, falaram que iam me matar e matar meus filhos”, conta.

