Por causa da coincidência das datas, delegado acredita que ela tenha se aproveitado da situação que causou apreeensão em todo o país. Dono de funerária foi assassinado envenenado por esposa e amante dela, conforme investigação.
A mulher suspeita de assassinar o marido envenenado em Videira, no Oeste de Santa Catarina, teria usado a crise do metanol pelo país para colocar o composto na cerveja dele e envenená-lo.
O delegado Édipo Flamia, responsável pela investigação, acredita que ela tenha feito um planejamento nesse sentido por causa da coincidência das datas entre o período em que o assunto estava em evidência nacionalmente, no último trimestre de 2025, e o envenenamento, logo depois.
A “crise do metanol” foi um surto de intoxicação grave ocorrido no Brasil em 2025, provocado pela ingestão de bebidas alcoólicas falsificadas (como vodca, gim e licores) adulteradas com metanol. A substância, altamente tóxica e de uso industrial, causou mortes e dezenas de internações pelo país.
Envenenamento de cerveja
O empresário do ramo funerário Pedro Rodrigues Alves, de 54 anos, morreu em 15 de fevereiro, após ficar 10 dias internado no hospital. A vítima foi envenenada ao longo de um mês com o uso de três substâncias tóxicas diferentes (veja mais abaixo).
A esposa dele e o amante dela são suspeitos do assassinato. Os dois estão presos preventivamente.
A apuração concluiu que a esposa e o amante planejaram o crime para que pudessem viver juntos, além de haver interesse patrimonial. O indiciamento ocorreu na quarta-feira (13).
Ambos foram podem responder por homicídio qualificado, por motivo torpe, pelo uso de veneno e pelo emprego de meio insidioso e cruel, o que impossibilitou a defesa da vítima.
Empresário Pedro Rodrigues Alves morreu em 15 de fevereiro — Foto: Reprodução/Redes sociais
Vítima foi internada em estado grave
Pedro morreu em 15 de fevereiro. Ele foi internado em estado grave no Hospital Divino Salvador, em Videira, no dia 5 de fevereiro. Sem apresentar melhora na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), foi submetido a um exame toxicológico.
O resultado, divulgado em 13 de fevereiro, apontou intoxicação por carbamato ou organofosforado. Dois dias depois, o empresário não resistiu e morreu.
De acordo com o delegado, o empresário já estava bastante doente quando foi para o hospital.
“A vítima já foi internada em estado grave, foi sedada e mantida em ventilação mecânica praticamente o tempo todo até o óbito”, declarou.
Três substâncias foram usadas para envenenar vítima
A investigação comprovou que a esposa, no período de janeiro de 2026 até a internação, usou as seguintes substâncias para envenenar o empresário:
adicionou metanol na cerveja que a vítima ingeria;
misturou soda cáustica nos remédios do empresário;
ministrou o agrotóxico conhecido como “chumbinho”.
A Polícia Civil destacou que o “chumbinho” é proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Os dois suspeitos tentaram apagar os vestígios físicos e digitais das ações criminosas e agiram para que a morte da vítima parecesse de causas naturais.
A esposa também realizou pagamentos para um enfermeiro da UTI do hospital para receber informações privilegiadas sobre o estado de saúde da vítima durante a internação. O profissional responde administrativamente por violar as normas do hospital e o código de ética da enfermagem.
Ela está presa em Chapecó, no Oeste catarinense, e o amante, em Palmas no Paraná. Quando interrogados pela Polícia Civil, permaneceram em silêncio.