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Mulher descobre doença autoimune que atrofia os pulmões após 11 anos de sintomas: ‘Me canso até para tomar banho’

Nos plantões, a enfermeira Lidia Oliveira Cunha escondia o inalador no bolso do jaleco e aproveitava a máscara para disfarçar a tosse que não cedia. Cuidava de gente doente sem admitir, nem aos colegas nem a si mesma, que a doente também era ela. Chegava em casa, subia quatro lances de escada e parava no banheiro para recuperar o fôlego antes de seguir.

Manteve o disfarce até o próprio corpo entregá-la. Hoje, aos 55 anos e aposentada antes da hora, depende de cilindro de oxigênio ao menos 18 horas por dia e aguenta no máximo 40 minutos sem o aparelho.

O hospital onde sonhava trabalhar, e onde chegou a atuar por quatro meses, virou o endereço de sua internação: entrou como paciente, transferida às pressas com a saturação de oxigênio em 78%, na mesma instituição de referência de Belo Horizonte de onde havia pedido demissão semanas antes —certa de que bastaria tratar uma bronquite e voltar ao trabalho.

Não era bronquite. Era fibrose pulmonar —a cicatrização que enrijece o pulmão e vai minando sua capacidade de funcionar—, desencadeada por uma doença autoimune ainda pouco conhecida: a esclerodermia. Do primeiro sintoma ao diagnóstico correto, foram 11 anos.

Não era da idade, nem asma

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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