‘Medo da chuva’, diz mulher que perdeu a casa em enchente de 2023 e agora viu o pai morrer no mesmo rio na Serra Gaúcha
Luiz Antonio Glanert morreu após passar mal e cair no Rio das Antas, onde um dia antes sua filha filmou uma casa sendo arrastada pela correnteza. Em 2023, eles perderam a casa na enchente.
A força das águas voltou a marcar a vida de uma família da Serra Gaúcha. O pai de Adriana Glanert, Luiz Antonio Glanert, de 70 anos, morreu na quinta-feira (23) após cair no Rio das Antas e ser arrastado pela correnteza. A tragédia ocorre menos de três anos depois de a filha ter perdido a casa onde morava, levada pelas águas durante uma enchente em setembro de 2023.
Há uma semana, o estado voltou a conviver com intempéries causadas pelo acúmulo de água nos leitos após período de muita chuva em território gaúcho.
Na quarta-feira (22), Adriana registrou em vídeo o momento em que outra residência era arrastada pelo Rio das Antas em direção ao Rio Taquari. Ela havia considerado a cheia de 2023 um evento atípico, até presenciar a tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024 e, agora, voltar a presenciar os impactos da elevação do nível do rio.
“A chuva dá medo. O vento dá medo. Vamos ficar até quando com medo da enchente?”, questiona.
Já na quinta-feira, Luiz Antonio se sentiu mal, caiu no rio e morreu.
“Ele passou a noite anterior inteirinha ajudando os vizinhos por causa da cheia do rio, tirando as coisas das casas. Hoje (quinta) ele e meu irmão foram lá pegar um ‘caíco’ (pequeno barco de madeira) que passou ali na beira, ele disse que ia fazer falta para quem tem. Se sentiu mal, se desequilibrou e caiu no rio”, relata Adriana.
A família conhece o Rio das Antas, conta Adriana. Seu avô nasceu na região, em 1929. Ela recorda que uma grande pedra localizada perto de sua casa guardava a marca da enchente de 1941, que, até há dois anos, era conhecida como a maior já registrada no RS.

