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‘Me sinto perdida’: médica que levou socos no rosto relata dificuldade em lidar com marcas da agressão

A médica Samira Khouri, de 27 anos, vive as consequências de uma agressão sofrida no rosto. Ela foi atacada pelo então namorado, Pedro Camilo Garcia Castro, durante uma viagem a São Paulo. Samira relata que ainda enfrenta dificuldades ao se olhar no espelho.

“Todo dia eu olho no espelho, eu sorrio e falo assim: essa não sou eu. Está torto, não está normal. Eu me sinto perdida. Eu demorei muito tempo para ter autoestima. E, para mim, ter ela roubada é um absurdo”, diz.

Samira tinha ido viajar com Pedro Camilo Garcia Castro para comemorar o aniversário. Na boate, eles brigaram, e a médica retornou para o apartamento que haviam alugado. Meia hora depois, o fisiculturista voltou ao local e as agressões começaram.

“O Pedro quebrou todas as estruturas que seguram o meu globo ocular, além de vários ossos da minha face, principalmente do lado esquerdo”, relata.

 

Pedro Garcia aguarda julgamento na prisão. “A única coisa que eu quero muito é que o caso seja julgado como realmente foi, que foi uma tentativa de feminicídio, e não seja desqualificado para lesão corporal grave, porque isso seria, assim, um absurdo”, afirma Samira.

Subnotificação e marcas perpétuas

Segundo a promotora de Justiça Fabíola Sucasas, estudos da área da odontologia e da medicina, com base em laudos de exames de corpo de delito, apontam que cerca de 70% a 90% dos casos de agressão física a mulheres se dirigem ao rosto.

Casos de violência de gênero enfrentam um histórico de subnotificação que dificulta o mapeamento pelos órgãos de segurança. Um estudo realizado com 3.193 usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS) na Grande São Paulo revelou que 76% delas relataram ter sofrido violência psicológica, física ou sexual.

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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