Adiel Lucas da Costa confessou crime na unidade, em abril de 2025. Mais de um ano depois, júri popular condenou homem pelo feminicídio cometido na frente dos filhos da vítima, Luana Ferreira Silazi. Defesa não quis se manifestar.
Adiel Lucas da Costa foi condenado a 52 anos e seis meses de prisão pelo feminicídio de Luana Ferreira Silazi, ex-companheira dele. O júri popular foi realizado em Jaguapitã, cidade do Norte do Paraná e onde o crime aconteceu.
O réu matou a mulher a facadas, na manhã de 13 de abril de 2025, enquanto ela, a mãe e dois filhos estavam a caminho da igreja para a celebração de Domingo de Ramos. Depois, ele foi ao hospital do município, com as mãos sujas de sangue, e confessou o crime. Relembre o caso abaixo.
A defesa de Adiel informou que não irá se manifestar sobre o caso “em respeito aos familiares da vítima e da família do acusado”.
O júri decidiu na segunda-feira (20) que a pena pelo feminicídio deve ser maior por ter sido cometido na presença dos filhos do casal, contra uma mulher responsável por duas crianças e pelo homem ter descumprido uma medida protetiva. O documento, inclusive, foi expedido três dias antes do assassinato.
O Conselho de Sentença também acolheu integralmente as teses apresentadas pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), ao reconhecer que o crime foi cometido por razões da condição do sexo feminino, por motivo torpe (não aceitar o término do relacionamento e o sentimento de posse) e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.
Também consta na sentença que Adiel deve pagar o valor mínimo de R$ 300 mil aos filhos, a título de reparação por danos morais.
O homem estava preso preventivamente desde a data do crime e, agora, permanecerá na mesma unidade prisional.
Relembre o caso
Conforme o delegado André Ribeiro Leite, no dia 8 de abril, Luana foi até a delegacia de Jaguapitã e solicitou uma medida protetiva de urgência contra Adiel. Na ocasião, ela contou ter sofrido violência doméstica durante aproximadamente oito anos de relacionamento com ele.
Segundo a Polícia Militar (PM), a medida foi expedida em 10 de abril. Três dias depois, Luana foi morta.
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima estava a caminho da igreja com a família. Na esquina da Avenida Bandeirantes, ela percebeu que o carro de Adiel estava estacionado e resolveu voltar para casa.
Consta no registro que Adiel seguiu Luana e parou o veículo na frente dela. Depois, desceu com uma faca na mão e disse que, “se ela não ficasse com ele, não ficaria com mais ninguém”.
A mãe de Luana e uma das crianças tentaram afastar o homem, mas ele esfaqueou a vítima no pescoço. O golpe na região cervical provocou lesões que causaram choque hemorrágico.
Após jogar a faca no chão e sair do local, Adiel foi até o Hospital Municipal de Jaguapitã para pedir ajuda, mas foi preso em flagrante após confessar o crime na unidade. Ele estava com as mãos sujas com o sangue da vítima, de acordo com a polícia.
O delegado André Ribeiro Leite informou, à época do crime, que Adiel tem histórico criminal por tráfico de drogas e receptação.
Adiel foi preso no Hospital Municipal de Jaguapitã. — Foto: Reprodução/Google Street View