Os tripulantes, os passageiros que já haviam deixado o navio e as pessoas que tiveram contato com eles foram colocados em quarentena em vários países ao redor do mundo.
Na sexta-feira, a OMS revisou seu número de casos positivos, reduzindo-o de 11 para 10 após um americano testar negativo. Em 15 de maio, a organização contabilizou 10 casos – oito confirmados e dois prováveis –, incluindo as três mortes.
O governo da Colúmbia Britânica declarou no sábado que um canadense, passageiro do MV Hondius, também testou positivo para a doença. A OMS informou no domingo (17) que aguarda uma atualização oficial desses números. Se o caso for confirmado, o total de pessoas afetadas passará para 11.
OMS organiza Assembleia Mundial da Saúde
A OMS inicia nesta segunda-feira sua Assembleia anual para discutir o tratado sobre pandemias e as retiradas dos Estados Unidos e da Argentina. Inicialmente ausentes da agenda oficial, os surtos de hantavírus e ebola devem entrar nas discussões desta 79ª Assembleia, que ocorre até sábado, em Genebra.
A reforma da “arquitetura da saúde global” – um setor fragmentado, com muitas organizações que nem sempre atuam em conjunto – estará no centro das discussões. Os Estados-membros deverão decidir sobre a criação de um processo formal para essa reorganização.
“Entre as questões a examinar está a divisão de responsabilidades entre os níveis global, regional e nacional”, para evitar sobreposições, explicou à AFP Helen Clark, copresidente do grupo independente de especialistas para preparação e resposta a pandemias.
Divergências bloquearam, no início de maio, pontos essenciais do tratado sobre pandemias, como o compartilhamento de insumos farmacêuticos, cujas negociações podem ser prorrogadas por um ano.
A Assembleia Mundial da Saúde ocorre após um ano difícil para a OMS, fragilizada pela decisão de Donald Trump de retirar os Estados Unidos da organização e pela redução das contribuições internacionais, que a obrigou a cortar orçamento e equipe. “Agora estamos estáveis e avançando”, declarou no fim de abril o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Em janeiro, o Conselho Executivo da OMS não tomou uma decisão sobre o pedido de retirada dos Estados Unidos, que estão em atraso no pagamento de suas contribuições obrigatórias à organização – condição indispensável para concluir a saída.
Os Estados, porém, deverão se pronunciar sobre o pedido de retirada da Argentina, já que o país, apoiado por Israel, apresentou uma resolução.
“A situação continua frágil, mas eles conseguiram mobilizar a maior parte dos fundos” necessários para os próximos dois anos, afirmou à AFP Surie Moon, codiretora do Centro de Saúde Global do Instituto de Altos Estudos Internacionais de Genebra. Segundo ela, a crise do hantavírus ilustra claramente “por que o mundo precisa de uma OMS eficaz, confiável, imparcial e com financiamento seguro”.