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Coleção de bonecas chama a atenção em casa tomada pelo lixo de catadora em SP: ‘estava tudo bonitinho’

 Anita Antônia cuidava do filho de dia e andava atrás de lixeiras à noite. Aos 73 anos, com problema na coluna e na perna, chegava exausta em casa.

Uma coleção de bonecas chamou a atenção durante a limpeza de uma casa tomada por acúmulo de lixos em São Paulo. A ação, realizada por voluntários, buscou ajudar a moradora Anita Antônia, de 73 anos, que reuniu materiais no imóvel ao longo de cerca de 20 anos.

“Estava tudo bonitinho, eu gostava do bonequinho. Aí eu pus as roupinhas nela, lavei as minhas bonequinhas. Olha que tudo bagaceira”, relata a catadora.

 

No caso de Anita, as bonecas estão diretamente ligadas à infância difícil. Criada na zona rural de Maringá, ela não teve tempo para brincar quando era criança. A vida foi marcada pelo trabalho doméstico desde cedo, e o acesso ao lazer era restrito.

Para especialistas, esse tipo de comportamento reforça o caráter emocional da acumulação compulsiva: o apego emocional a objetos

“Alguns objetos adquirem um valor sentimental para a pessoa. Então, portanto, se desfazer daquilo é muito sofrido. É o equivalente ali a se desfazer de algo que tem um valor material muito importante, por exemplo.”

Entre memória e sobrevivência

Anita cresceu sem a presença do pai, mas recebia o carinho da mãe quando terminava o serviço doméstico. A mulher hoje rodeada de lixo sabia cuidar bem de casa. Ela foi para São Paulo trabalhar como doméstica.

Catadora de recicláveis ganha ajuda para retirar toneladas de lixo que acumulou em casa durante 20 anos — Foto: Fantástico/ Reprodução
Catadora de recicláveis ganha ajuda para retirar toneladas de lixo que acumulou em casa durante 20 anos — Foto: Fantástico/ Reprodução

 

Operação de limpeza voluntária

O influenciador digital Guilherme Gomes foi quem teve a iniciativa. Ele faz faxina de graça para acumuladores compulsivos e compartilha as histórias das pessoas na internet.

“As pessoas têm esse pré-julgamento: ‘são pessoas porcas, são pessoas desleixadas, como é que uma pessoa vive nesse estado?’ E falo para essas pessoas: a depressão não é frescura”, diz o influenciador digital Guilherme Gomes.

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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