Cachorro comunitário morre após ser baleado por PM no Paraná
Segundo PM, cachorro teria apresentado ‘comportamento agressivo contra um dos policiais’. Moradores e comerciantes que cuidavam do animal questionam.
Um cão comunitário morreu no final da tarde de terça-feira (29) depois de ter sido baleado por um policial militar em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba.
Segundo o Boletim de Ocorrência (B.O) que registrou o caso, o animal foi atingido por três disparos após latir dentro das dependências do Hospital São Rafael Arcanjo.
A Polícia Militar (PM) informou que a equipe estava no local para atendimento de uma ocorrência de omissão de cautela na guarda de animal, depois que “solicitantes acionaram a corporação devido à presença de um cachorro que apresentava comportamento agressivo contra as pessoas que buscavam atendimento em um hospital”. A PM disse ainda que “testemunhas relataram que o animal já havia tentado atacar funcionários e pacientes”.
De acordo com a PM, o cachorro teria apresentado “comportamento agressivo contra um dos policiais”, que disparou contra o animal. Moradores e comerciantes que interagiram com o cachorro não registraram, até o momento, casos de agressividade do animal.
O serviço de Ambulância Animal da Prefeitura de Colombo foi acionado e compareceu ao local, onde constatou o óbito do animal.
O hospital ressaltou que o animal não tinha vínculo com a instituição e que nenhum paciente ou colaborador teve envolvimento com a situação.
Em nota, a PM afirmou que as circunstâncias que envolveram a ocorrência serão apuradas por meio do procedimento administrativo.
A Polícia Civil não informou se o caso será investigado.
Moradores questionam versão da PM
Nesta quarta-feira (30), moradores fizeram um protesto questionando a conduta da PM. De acordo com eles, o cão estava circulando há cerca de 20 dias na região do Centro e, por conta da chuva, buscou abrigo dentro do hospital.
“Ele é um cachorro extremamente dócil, querido. Ele estava sendo alimentado por comerciantes da região e moradores também. Houve um evento no bosque da uva, no qual ele interagiu super bem com pessoas e crianças. O que a gente não consegue entender é essa brutalidade. Sem contar o perigo também, de três disparos dentro de uma recepção, com pessoas ao redor. Nós queremos justiça por esse cachorro”, afirmou uma das participantes do protesto.
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Prefeitura tinha sido acionada
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que recebeu, na terça-feira (29), uma solicitação para recolhimento do cão e avaliou, por fotos e vídeos, que o animal apresentava aparência geral compatível com boas condições de saúde e condição corporal adequada.
Procurada pela RPC, inicialmente, a prefeitura informou que “não foram identificados, durante aquela avaliação, elementos que justificassem tecnicamente o recolhimento, motivo pelo qual o animal permaneceu no local”. Em nota enviada nesta quinta-feira (1º), informou que, na verdade, a orientação foi “aguardar a chegada de um técnico para uma avaliação presencial e a adoção das providências cabíveis”.
Em entrevista à RPC, o diretor da Secretaria de Meio Ambiente do município, Robério Marcolino Filho, informou que a equipe não chegou a ir ao local.
“A gente viria fazer a avaliação em local desse cão. Recebemos o chamado, passou pela avaliação do médico veterinário para definir a prioridade. Foi definido como algo urgente, porque estava dentro de um hospital, que é um lugar de grande circulação de pessoas, mas nós tínhamos mais emergências para atender”, detalhou.
A Secretaria de Meio Ambiente informou que vai encaminhar as informações do caso ao Ministério Público, para conhecimento e adoção das medidas cabíveis.
“Infelizmente, quando o animal se vê acuado, ele pode ter dois tipos de reação: ou ele foge, ou ele ataca. Se ninguém mexe com o animal, é muito raro o animal atacar”, explicou o diretor.
O que dizem os envolvidos?
Leia a íntegra da nota da PM:
“A Polícia Militar do Paraná (PMPR) informa que, nesta terça-feira (29), foi acionada para o atendimento de uma ocorrência de omissão de cautela na guarda de animal, na cidade de Colombo, região Metropolitana de Curitiba.
No local, solicitantes acionaram a Polícia Militar devido à presença de um cachorro que apresentava comportamento agressivo contra as pessoas que buscavam atendimento em um hospital.
Testemunhas relataram, ainda, que o cão permanecia nas proximidades desde o dia anterior (28/09) e já havia tentado atacar funcionários e pacientes. Segundo o relato do boletim de ocorrência, durante o atendimento, o cachorro também apresentou comportamento agressivo contra um dos policiais, sendo necessário o uso da força para cessar o ataque do animal.
Diante dos fatos, a Defesa Animal do município de Colombo foi acionada, enviando uma unidade de resgate ao local, onde a equipe técnica responsável realizou o recolhimento e a destinação adequada do animal.
Por fim, a Polícia Militar esclarece que todas as circunstâncias que envolveram essa ocorrência serão apuradas por meio do procedimento administrativo cabível ao caso.”
Leia a íntegra da nota do Hospital São Rafael Arcanjo:
“O Hospital São Rafael Arcanjo, em Colombo, lamenta profundamente o incidente ocorrido com um cão na área externa das suas dependências.
O hospital condena veementemente qualquer ato de crueldade e violência contra animais, reafirmando que o respeito à vida e à dignidade é parte de seus princípios institucionais.
Esclarecemos que o animal não possuía qualquer vínculo com o hospital ou com seus colaboradores. As forças de segurança pública foram acionadas para auxiliar no manejo do cão, mas, infelizmente, a intervenção resultou em um incidente lamentável e inesperado. Nenhum paciente esteve envolvido na ocorrência.
O Hospital São Rafael Arcanjo reitera seu compromisso com a ética, a responsabilidade e o respeito. O caso segue sob a condução exclusiva dos órgãos competentes, e esperamos que as autoridades responsáveis tomem as medidas cabíveis para a apuração dos fatos.”
Leia a íntegra da nota da Secretaria de Meio Ambiente de Colombo:
“A equipe de médicos-veterinários da Secretaria de Meio Ambiente avaliou a situação do animal a partir de fotos e vídeos encaminhados via WhatsApp.
Na avaliação técnica, o animal apresentava aparência geral compatível com boas condições de saúde e condição corporal adequada. E não apresentava agressividade.
A orientação foi: aguardar a chegada de um técnico para uma avaliação presencial e a adoção das providências cabíveis. Na triagem, a situação foi classificada como emergência, e não como urgência.
No momento da ocorrência, estava chovendo e a ambulância destinada ao atendimento de animais estava em outra ocorrência, sendo o único veículo disponível no município para esse tipo de atendimento.
Antes da conclusão do atendimento técnico, a Polícia Militar foi acionada por funcionários do hospital. A Prefeitura não tinha conhecimento prévio de que a PM seria acionada.”

