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Brasileira aciona na Justiça empresa ligada a MrBeast por assédio e irregularidades trabalhistas

Uma brasileira entrou na Justiça dos Estados Unidos contra a empresa ligada ao youtuber MrBeast, alegando ter sofrido assédio moral e sexual durante o período em que trabalhou no local. Lorrayne Mavromatis tornou pública a denúncia nesta quarta-feira (22), por meio de suas redes sociais, e também formalizou o processo em um tribunal na Carolina do Norte.

Segundo o relato, ela atuou por cerca de três anos na MrBeast Industries e, inicialmente, via a experiência como uma grande oportunidade profissional. No entanto, afirma que, ao longo do tempo, passou a enfrentar situações desconfortáveis e abusivas dentro do ambiente de trabalho.

“Eu era uma das poucas mulheres no alto escalão executivo e, muitas vezes, a única mulher na sala. Quando eu dava uma ideia, era chamada de burra — apenas para ficar ali e assistir um homem dizer exatamente a mesma coisa 90 segundos depois e receber uma rodada de aplausos”, completou.

https://g1.globo.com/economia/tecnologia/video/brasileira-processa-empresa-de-mrbeast-por-assedio-14550682.ghtml

Entre as acusações, Lorrayne descreve encontros privados aos quais teria sido obrigada a comparecer sozinha na residência do então CEO da empresa, em um ambiente que classificou como inadequado. Embora não tenha citado nomes em seu vídeo, a ação judicial menciona o ex-CEO James Warren.

“Tive que escutar o quão atraente e bonita eu era.”

A brasileira também relatou dificuldades relacionadas à maternidade. Ela afirma que, mesmo com uma licença aprovada formalmente pelo setor de recursos humanos, acabou sendo pressionada a continuar trabalhando durante o período que deveria estar afastada. Segundo seu depoimento, participou de reuniões ainda durante o trabalho de parto e retornou às atividades poucos dias após o nascimento da filha.

Ela diz que essa situação trouxe impactos profundos, especialmente por ter perdido momentos importantes do início da vida da criança. Além disso, afirma que não teve tempo suficiente para se recuperar física e emocionalmente após o parto.

Lorrayne conta que foi demitida duas semanas depois de voltar da licença-maternidade. “E a razão foi: ‘você tem um calibre muito alto para essa posição. Precisamos de alguém com um calibre menor'”.

 

Foto: Reprodução/Instagram

A ação judicial aponta possíveis violações à legislação trabalhista norte-americana, incluindo a Lei de Licença Familiar e Médica (FMLA), que garante afastamento em casos como o nascimento de filhos. De acordo com o processo, a empresa não teria orientado adequadamente a funcionária sobre seus direitos e ainda teria exigido que ela continuasse atuando em projetos, incluindo viagens internacionais, durante esse período.

Outro ponto levantado é a demissão ocorrida menos de três semanas após o retorno integral ao trabalho, o que, segundo a acusação, pode configurar retaliação. Lorrayne também afirma que foi substituída por um homem.

O processo ainda descreve o ambiente corporativo como desigual, com predominância masculina e exclusão de mulheres em determinadas reuniões. Há também relatos de situações consideradas humilhantes, como a exigência de realizar tarefas que não faziam parte de sua função, incluindo buscar bebidas para membros da equipe durante gravações.

Até o momento, a empresa não se pronunciou oficialmente sobre as acusações.

Fonte: g1, SP

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