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Acidente no palco da Shakira: elevador que causou morte de serralheiro foi acionado a 25 metros de distância

As investigações da Polícia Civil apontam que o elevador que esmagou e matou um serralheiro durante a montagem do palco do show da cantora Shakira, nas areias da Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, foi acionado a 25 metros de distância.

“O funcionário que acionou o equipamento estava a 25 metros de distância quando deveria estar bem mais próximo”, pontuou o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana), responsável pela investigação, em entrevista à GloboNews.

Gabriel de Jesus Firmino, de 28 anos, foi prensado entre 2 elevadores de serviço, de baixo para cima.

“A princípio, o que a gente entendeu é que ele estava soldando uma peça. Um elevador estava baixo, e o outro alto, e ele teria dado um comando para o outro operador baixar o equipamento e acabou que ficou prensado ali entre os dois equipamentos”, disse o delegado.

 

Segundo o delegado, ele estava dentro da estrutura, o que é proibido pelas regras de segurança do trabalho.

“O serralheiro estava operando o equipamento dentro do equipamento, ele deveria estar do lado de fora para o equipamento ser movimentado”, pontuou o delegado.

A Polícia Civil do RJ realizou nesta segunda-feira (27) uma nova perícia no local, e a organização do evento chegou a suspender os trabalhos no canteiro.

Segundo a Bonus Track, a paralisação não impactou a montagem do palco, já que o cronograma do evento segue dentro do prazo.

A perícia deve trazer novos resultados em 30 dias. Após a inspeção, a montagem foi liberada.

Polícia investiga o caso

O caso é investigado pela 12ª DP (Copacabana). A polícia verifica se houve falha da empresa na segurança dos trabalhadores. Se ficarem comprovadas negligência, imprudência ou imperícia, os responsáveis podem responder por homicídio culposo.

“A gente vai trabalhar mais com a questão do homicídio culposo ou mesmo do acidente”, afirmou o delegado Ângelo Lages.

Polícia Civil faz nova perícia no local de acidente com serralheiro — Foto: Henrique Coelho/g1 Rio
Polícia Civil faz nova perícia no local de acidente com serralheiro — Foto: Henrique Coelho

Gabriel trabalhava na MG Coutinho Serviços Cenográficos (Cenoart), empresa responsável pela montagem dos elevadores.

Até o momento, apenas o representante da empresa foi ouvido pela polícia.

“A gente vai ouvir o proprietário, os funcionários, a gente também quer ouvir as testemunhas que estavam aqui no local, o responsável técnico, ou seja, é uma investigação que vai ser lenta, porque ela precisa ser uma investigação técnica para que ao final a gente consiga ter uma determinação do que de fato aconteceu aqui.”

O funcionário que acionou o elevador estava longe de Gabriel no momento que ele fazia o trabalho de soldagem no equipamento.

“Ele estava a cerca de 25 metros, quando deveria estar mais perto”, afirmou Lages.

Segundo o delegado, a investigação ainda está no início, mas sócios da empresa podem ser responsabilizados pela morte por não terem garantido condições adequadas de trabalho para evitar o acidente.

Se nenhum crime for identificado, a ocorrência será tratada como acidente de trabalho, sem responsabilidade criminal.

Gabriel era morador de Magé, na Baixada Fluminense. O acidente aconteceu na tarde de domingo (26). O serralheiro chegou a ser socorrido por integrantes da brigada de incêndio e, depois, foi levado por uma ambulância do Corpo de Bombeiros ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu aos ferimentos.

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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