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Bombeiros relatam uma série de erros no combate ao incêndio no subsolo do Shopping Tijuca

Defesa Civil fez vistoria no imóvel e risco de desabamento foi afastado; subsolo e 14 lojas do térreo foram interditados

Imagem do subsolo do shopping, onde o incêndio teve início — Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros

Nesta segunda-feira, três dias após o início do incêndio que provocou duas mortes no Shopping Tijuca, na última sexta-feira, o Corpo de Bombeiros seguia com o trabalho de rescaldo para resfriar as áreas mais atingidas do imóvel. À tarde, a Defesa Civil, que teve acesso ao endereço para realizar uma perícia parcial, afastou o risco de desabamento do prédio e anunciou a interdição parcial do subsolo, além de 14 lojas do térreo. Autoridades indicam que o fogo começou em um ar-condicionado da loja de decoração Bellart, que ficava no subsolo. Ao GLOBO, dois agentes que atuaram no combate às chamas contaram, de forma anônima, como foi o trabalho nas primeiras horas, dificultado pelo acúmulo de fumaça e pela falta de informação sobre os acessos espaço atingido.

Equívocos

 

Os dois agentes integraram equipes de apoio aos bombeiros do quartel da Tijuca, responsável pela ocorrência, os primeiros a chegar ao shopping. Um deles revela que se impressionou com a desorganização inicial, que fugia a normas da corporação em casos como esse.

— Em todo incêndio, a recomendação é que, primeiro, a gente procure pelas vítimas, e, depois, combata as chamas. É uma ação estratégica focada em salvar vidas. Quando cheguei, vi o chefe dos brigadistas bastante agitado. Bombeiros que já estavam por lá atuavam sem retaguarda, o que não é aconselhado, pois, caso aconteça alguma coisa, não há outro agente para prestar socorro. Também não tivemos inicialmente acesso à planta, então, não sabíamos como chegar à loja ou a outros pontos do shopping — explica.

O shopping Tijuca — Foto: Editoria de Arte

O profissional observa ainda que a fumaça atrapalhou o resgate das vítimas, encontradas posteriormente no subsolo.

— Nos organizamos em duplas, fazendo uso de cilindro de oxigênio. Esse componente dura, no máximo, uns 30 minutos, mas, a depender do calor e de como está a nossa respiração, não passa de 10. Foram momentos de tensão, principalmente porque, como tinha muita fumaça, a gente mal conseguia ver a um palmo de distância. Era uma névoa bem branquinha, densa. Isso dificultou muito o socorro, não conseguíamos entrar.

— A gente não entendeu porque houve demora para o chamamento dos bombeiros. A primeira coisa a fazer em caso de incêndio é isso. Fora que os clientes também demoraram a ser avisados sobre o que acontecia, o alarme não foi acionado de forma rápida. E os evacuados ainda ficaram expostos na entrada do shopping, já que a área não foi isolada imediatamente — conclui ele.

Na sexta-feira, Yasmin Youssef, que estava na loja de decoração junto a uma amiga, contou que, às 18h, viu um brigadista entrar por lá com uma mangueira e uma funcionária informar que fecharia o estabelecimento. As pessoas foram orientadas a deixar o local, mas, sem saber da gravidade, continuaram a andar pelo shopping por quase uma hora. Os bombeiros chegaram às 19h.

Já o outro militar ouvido avalia que a estrutura do shopping não foi projetada para esse tipo de ocorrência, com alta densidade de fumaça tóxica.

— O trabalho para acabar com a fumaça é uma missão muito difícil. Ela foi um obstáculo desde o primeiro minuto da operação. A estrutura do shopping não foi preparada para dar vazão, então, os bombeiros ainda tentam encontrar formas para dissipá-la.

Ao longo do trabalho dos bombeiros, nos últimos dias, houve a necessidade de abertura de quatro buracos nas paredes do shopping, para facilitar a eliminação da fumaça acumulada em seu interior.

Um dos agentes entrevistados enfatiza também que as dificuldades foram maiores para aqueles que não atuam rotineiramente no quartel da região e não conheciam o shopping.

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