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Ranking revela qual cidade do Paraná oferece o melhor custo-benefício para morar

Levantamento realizado em 22 municípios paranaenses compara preços de aluguel, segurança, renda e qualidade de vida; cidades do interior aparecem entre as mais vantajosas.

Escolher uma cidade para viver envolve muito mais do que encontrar um imóvel com aluguel acessível. Segurança, oportunidades de emprego, infraestrutura, serviços públicos e qualidade de vida são fatores que influenciam diretamente essa decisão. Um levantamento que avaliou os 22 municípios mais populosos do Paraná, todos com mais de 100 mil habitantes, identificou quais localidades oferecem a melhor relação entre o custo da moradia e as condições urbanas.

O estudo reuniu informações sobre valores anunciados de aluguel residencial e indicadores relacionados à renda, saneamento básico, arborização, mortalidade infantil, segurança pública e desenvolvimento social. Os resultados mostram que algumas cidades do interior conseguem oferecer condições favoráveis de vida com despesas habitacionais inferiores às registradas nos grandes centros urbanos.

Entre os destaques estão Umuarama, Arapongas e Maringá, que conquistaram as três primeiras posições. Curitiba, apesar de apresentar a maior pontuação em qualidade urbana, perdeu posições devido ao elevado custo dos aluguéis.

Umuarama conquista o primeiro lugar entre as cidades analisadas

Localizada no noroeste paranaense, Umuarama foi apontada como a cidade com o melhor custo-benefício para morar entre os 22 municípios avaliados. O município alcançou 62,52 pontos no índice de custo-benefício, resultado impulsionado principalmente pelo preço mais acessível das locações residenciais.

O valor médio anunciado do aluguel ficou em R$ 11,60 por metro quadrado, o menor registrado entre todas as cidades pesquisadas. A pontuação de qualidade urbana chegou a 72,53, demonstrando uma combinação favorável entre infraestrutura e despesas com habitação. Outro aspecto relevante é a renda dos trabalhadores com carteira assinada, cuja média corresponde a três salários mínimos.  Os indicadores de saneamento básico também contribuíram para a boa classificação da cidade. Esses resultados colocam Umuarama em posição de destaque para quem procura um município com estrutura urbana e gastos relativamente menores com moradia.

Arapongas aparece na segunda colocação e se destaca pela segurança

Arapongas, conhecida nacionalmente pela forte presença da indústria moveleira, conquistou o segundo lugar no levantamento. Com índice de custo-benefício de 38,65 pontos, a cidade apresentou desempenho positivo em segurança pública, registrando a menor taxa de homicídios entre os municípios pesquisados. O indicador foi de 6,5 mortes por 100 mil habitantes, resultado que favoreceu sua pontuação geral de qualidade urbana, estabelecida em 64,59 pontos. No mercado imobiliário, o preço médio anunciado para locação residencial chegou a R$ 16,71 por metro quadrado, valor considerado competitivo dentro do universo analisado. A combinação entre segurança e preços habitacionais relativamente baixos ajudou Arapongas a superar municípios maiores e economicamente mais expressivos.

Maringá ocupa a terceira posição e chama atenção pela qualidade de vida

Reconhecida por suas áreas verdes e planejamento urbano, Maringá conquistou o terceiro lugar no ranking de custo-benefício, atingindo 24,86 pontos. A cidade apresentou uma das melhores avaliações de qualidade urbana do levantamento, com 81,38 pontos, ficando atrás apenas de Curitiba. Os indicadores de arborização e saúde infantil foram especialmente positivos, colocando Maringá na liderança dessas duas categorias entre os municípios pesquisados. Apesar do desempenho favorável, os valores dos imóveis para locação pesaram na classificação. O preço médio anunciado do aluguel residencial foi de R$ 32,74 por metro quadrado, significativamente superior ao observado em Umuarama e Arapongas.

O resultado evidencia que uma cidade pode apresentar excelentes condições urbanas, mas ter sua atratividade financeira reduzida pelo custo habitacional.

Especialistas em planejamento urbano também chamam atenção para a valorização imobiliária em Maringá. O aumento dos preços, especialmente em regiões centrais, pode dificultar o acesso à moradia para estudantes, trabalhadores e famílias com rendimentos intermediários.

Curitiba tem a melhor nota urbana, mas apresenta o aluguel mais caro

A capital paranaense liderou o indicador geral de qualidade urbana, alcançando 93,36 pontos, a maior pontuação entre todas as cidades avaliadas. Curitiba também apresentou destaque no Índice de Progresso Social e na remuneração dos trabalhadores formais, com renda média equivalente a 3,6 salários mínimos. Entretanto, viver na capital exige um orçamento habitacional mais elevado. O aluguel residencial anunciado atingiu, em média, R$ 45,20 por metro quadrado, o maior valor encontrado no levantamento.

Esse custo fez Curitiba ocupar apenas a décima posição no ranking de custo-benefício, com índice de 20,65 pontos.  A comparação demonstra que a presença de infraestrutura consolidada e melhores indicadores socioeconômicos não representa, necessariamente, maior facilidade financeira para encontrar uma residência.

Paranaguá fica em último lugar na comparação

No litoral do Paraná, Paranaguá apresentou a relação menos favorável entre preço de aluguel e indicadores urbanos.

O município, que possui 145.829 habitantes conforme o Censo de 2022, registrou o segundo aluguel mais caro entre as cidades avaliadas, com média anunciada de R$ 39,18 por metro quadrado. Ao mesmo tempo, sua nota de qualidade urbana ficou em 15,57 pontos, a menor da pesquisa. Com essa combinação, Paranaguá terminou na última colocação do ranking de custo-benefício, alcançando apenas 3,97 pontos.

Os indicadores relacionados à segurança pública e à saúde infantil contribuíram para o desempenho desfavorável.

A administração municipal informou, na apuração original, que a dinâmica imobiliária local é influenciada pela atividade portuária, pela procura por residências e pelas limitações territoriais e ambientais para expansão urbana.

A prefeitura também mencionou iniciativas de revisão do Plano Diretor, incentivo ao desenvolvimento imobiliário e busca por recursos destinados à habitação social.

Região Metropolitana de Curitiba apresenta diferenças expressivas

O levantamento também identificou contrastes entre os municípios que integram a Região Metropolitana de Curitiba.

Araucária alcançou a quinta colocação geral, com índice de custo-benefício de 22,45 pontos. A cidade apresentou nota urbana de 64,32 e aluguel médio anunciado de R$ 28,65 por metro quadrado.

Os resultados foram favorecidos por indicadores de renda e segurança considerados positivos na comparação. Outras cidades metropolitanas tiveram desempenho inferior. Almirante Tamandaré registrou 8,60 pontos, enquanto Colombo alcançou 15,43 e Piraquara obteve 14,46 pontos no índice de custo-benefício. Em Piraquara, o preço médio anunciado do aluguel foi de R$ 34,79 por metro quadrado, acima do observado em diversos municípios do interior. Diferenças nas condições de saneamento, renda e segurança ajudam a explicar os resultados encontrados na região.

Por que morar em cidades menores pode custar menos?

A menor pressão imobiliária em municípios do interior é um dos fatores que podem contribuir para preços mais acessíveis.Em cidades com menor concentração de edifícios e menor disputa por determinadas localizações, os valores de locação tendem a apresentar diferenças em relação aos grandes centros.Entretanto, a expansão do mercado imobiliário também vem modificando essa realidade. A valorização de determinadas regiões pode elevar os preços de imóveis e comprometer o acesso à habitação.

O crescimento urbano sem planejamento adequado pode ampliar desigualdades, estimular a ocupação de áreas periféricas e aumentar as dificuldades de deslocamento da população.Instrumentos previstos no Estatuto da Cidade, como as Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS), o IPTU Progressivo no Tempo e o direito de preempção, podem auxiliar os municípios na organização territorial e na implementação de políticas habitacionais.

Como foi elaborado o ranking das cidades do Paraná?

O levantamento original considerou os 22 municípios paranaenses com mais de 100 mil habitantes incluídos na amostra, relacionando informações sobre qualidade urbana e preços anunciados de aluguel residencial.

A avaliação de qualidade urbana foi estabelecida em uma escala de zero a 100 pontos, utilizando seis indicadores com pesos diferentes:

  • Progresso social (25%): resultados do Índice de Progresso Social Brasil 2026.
  • Segurança pública (25%): taxa de homicídios por 100 mil habitantes, conforme o Atlas da Violência 2026.
  • Renda e emprego (20%): remuneração média dos trabalhadores formais, com dados do IBGE referentes a 2023.
  • Saúde infantil (10%): mortalidade infantil, considerando informações do IBGE de 2025.
  • Arborização (10%): proporção de vias públicas arborizadas, conforme dados do IBGE de 2022.
  • Saneamento básico (10%): percentual de domicílios com esgotamento sanitário adequado, também com informações do IBGE de 2022.

Para permitir a comparação, os resultados foram padronizados segundo o desempenho dos municípios incluídos na pesquisa.

Os preços de aluguel foram coletados entre os dias 20 e 23 de outubro de 2026, em anúncios disponíveis nas plataformas ZAP, VivaReal e Chaves na Mão.

Foram considerados imóveis residenciais de um a três dormitórios, incluindo casas e apartamentos. Propriedades comerciais, rurais e imóveis de luxo ficaram fora da seleção.

O índice final foi obtido pela divisão da nota de qualidade urbana pelo preço médio anunciado de locação por metro quadrado, com o resultado multiplicado por dez.

Essa metodologia favorece os municípios capazes de combinar boas condições urbanas com valores habitacionais menores.

Levantamento compara aluguel e qualidade urbana nas 22 maiores cidades do Paraná.

Foto: Infográfico/Tribuna do Paraná

Qual é a melhor cidade do Paraná para morar?

A resposta depende das prioridades e da realidade financeira de cada pessoa.

Para quem busca economizar no aluguel sem abrir mão de indicadores urbanos favoráveis, Umuarama e Arapongas aparecem como alternativas interessantes dentro da pesquisa.

Maringá se destaca especialmente pelos resultados relacionados à arborização e à saúde infantil, enquanto Curitiba apresenta a maior pontuação geral de qualidade urbana, apesar dos custos habitacionais elevados.

É importante considerar que o levantamento representa uma comparação específica entre 22 municípios, não uma classificação definitiva de todas as cidades paranaenses.

Além do aluguel, fatores como localização do trabalho, transporte, acesso à educação, disponibilidade de serviços e despesas familiares devem fazer parte da decisão sobre onde morar.

Fonte: Gazeta do povo

 

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