‘Rei das Criptomoedas’ é preso em São Paulo após condenação por fraude de R$ 45 milhões
Empresário investigado por esquema que teria prejudicado aproximadamente 300 investidores foi identificado por câmeras de reconhecimento facial na capital paulista.
O empresário Josué Viana Medeiros, conhecido como “Rei das Criptomoedas”, foi preso na capital paulista após ser identificado por um sistema de reconhecimento facial utilizado pelas forças de segurança de São Paulo. Condenado a oito anos de prisão em regime fechado por estelionato, ele é apontado como um dos responsáveis por um esquema financeiro que teria movimentado mais de R$ 45 milhões e causado prejuízos a aproximadamente 300 investidores.
A prisão ocorreu no sábado (31), no bairro de Perdizes, zona oeste de São Paulo. A localização do empresário representa um novo desdobramento de uma investigação iniciada no Amazonas em 2021, quando autoridades identificaram suspeitas de fraudes envolvendo investimentos em moedas digitais.
Sistema de reconhecimento facial ajudou a localizar condenado
A prisão foi possível graças à tecnologia empregada pelo programa Muralha Paulista, iniciativa de monitoramento que utiliza câmeras inteligentes e ferramentas de identificação de pessoas procuradas pela Justiça.
Durante o monitoramento, o sistema identificou uma possível correspondência entre as características faciais do empresário e os registros existentes nas bases de segurança pública.
Após receberem o alerta, policiais militares realizaram a abordagem na Rua Itajobi, em Perdizes. A consulta aos registros judiciais confirmou a existência de um mandado de prisão expedido pela Justiça do Amazonas.
O empresário foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para os procedimentos necessários e posteriormente conduzido ao Centro de Detenção Provisória de Pinheiros. Uma audiência de custódia estava prevista para o domingo (1).
Investigação revelou suspeitas de fraude milionária
O caso ganhou repercussão em novembro de 2021, quando a Polícia Civil do Amazonas deflagrou a Operação Blockchain Fake para investigar uma estrutura de captação de recursos apresentada ao público como uma oportunidade de investimento em criptomoedas.
Segundo as investigações, o grupo atraía interessados com propostas de ganhos financeiros elevados e pagamentos mensais que chegavam a aproximadamente 10% do capital aplicado.
A promessa despertava o interesse de pessoas que buscavam alternativas para aumentar o patrimônio. Entretanto, os investigadores identificaram indícios de que os resultados divulgados não correspondiam a operações legítimas no mercado de ativos digitais.
A Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (DERFD) apurou que investidores recebiam documentos que supostamente comprovavam a aplicação dos valores. Parte desses registros, conforme a polícia, havia sido falsificada para transmitir credibilidade ao empreendimento.
As denúncias começaram a surgir quando clientes perceberam inconsistências nos documentos e dificuldades relacionadas aos investimentos realizados.
Ostentação e veículos de luxo chamaram a atenção dos investigadores
A imagem de prosperidade financeira exibida por Josué Viana Medeiros também passou a integrar as apurações. Em Manaus, o empresário ficou conhecido pelo apelido de “Rei das Criptomoedas” em razão do estilo de vida luxuoso e da exposição de automóveis de alto valor.
Durante a Operação Blockchain Fake, cinco veículos vinculados aos investigados foram apreendidos pelas autoridades.
Em Manaus, foram localizados uma BMW, um Troller e um Mini Cooper, avaliados conjuntamente em aproximadamente R$ 6 milhões. Outras diligências realizadas em Brasília e São Paulo resultaram na apreensão de uma Ferrari e uma McLaren, com valores estimados em R$ 5 milhões cada.
De acordo com as investigações, negociações envolvendo veículos de luxo teriam sido utilizadas para dificultar a identificação da origem dos recursos financeiros.
A suspeita era de que operações comerciais simuladas ajudassem a incorporar ao patrimônio valores provenientes das atividades investigadas, prática que pode caracterizar lavagem de dinheiro.
Empresário já havia sido preso anteriormente
O nome de Josué Viana Medeiros também apareceu em uma ocorrência registrada em janeiro de 2022, quando ele foi localizado pela Polícia Rodoviária Federal em Santarém, no Pará.
Naquela ocasião, o empresário já era investigado por sua suposta participação no esquema de investimentos fraudulentos.
As apurações também envolveram seu filho, Josué Victor Almeida de Figueiredo Medeiros, que chegou a ser procurado pelas autoridades durante o andamento da investigação.
As informações disponíveis não permitem confirmar a situação judicial atual do filho nem eventuais desdobramentos relacionados à sua participação no caso.
Prejuízo de investidores pode chegar a milhões de reais
O impacto financeiro atribuído ao esquema chama a atenção pela quantidade de pessoas envolvidas e pelo volume de recursos movimentados.
Segundo os dados divulgados pela Polícia Civil do Amazonas, aproximadamente 300 investidores teriam sido prejudicados, enquanto a movimentação financeira investigada ultrapassou R$ 45 milhões.
Apesar das apreensões realizadas durante a operação policial, ainda não há informações públicas atualizadas que permitam determinar quanto dinheiro foi efetivamente recuperado ou se os investidores conseguiram algum tipo de ressarcimento.
Também não está esclarecido se os bens apreendidos serão suficientes para compensar parte dos prejuízos relatados pelas vítimas.
Promessas de lucros elevados exigem atenção dos investidores
O episódio reforça a importância de avaliar cuidadosamente propostas de investimentos que oferecem retornos elevados e aparentemente garantidos.
Embora o mercado de criptomoedas ofereça diferentes oportunidades de negociação, os ativos digitais estão sujeitos a oscilações expressivas de preço. Por isso, promessas de rentabilidade fixa e acima dos padrões de mercado precisam ser examinadas com atenção.
Especialistas em educação financeira recomendam verificar a identificação dos responsáveis pelo empreendimento, a regularidade da empresa, as condições contratuais e os riscos envolvidos antes de transferir recursos.
Outro cuidado importante é evitar decisões baseadas exclusivamente em fotografias de bens de luxo, depoimentos de supostos clientes ou documentos fornecidos pela própria empresa responsável pela captação.
A existência de contratos e comprovantes não garante, isoladamente, que os valores estejam sendo administrados de maneira legítima.
Tecnologia amplia capacidade de localização de procurados
Além das repercussões no mercado financeiro, a prisão evidencia o uso crescente de ferramentas digitais nas atividades de segurança pública.
Sistemas integrados de videomonitoramento e reconhecimento facial permitem identificar possíveis correspondências com registros de pessoas procuradas, auxiliando o trabalho policial.
Essas tecnologias, quando utilizadas com procedimentos de verificação e respeito às garantias legais, podem contribuir para o cumprimento de ordens judiciais e a localização de condenados.
O caso de Josué Viana Medeiros também evidencia as consequências de esquemas fraudulentos apresentados como investimentos em criptomoedas, especialmente quando promessas de enriquecimento rápido são utilizadas para atrair pessoas interessadas em ampliar seus rendimentos.
A prisão representa mais uma etapa do processo judicial, enquanto a possibilidade de recuperação dos recursos perdidos continua sendo uma das principais preocupações dos investidores
Fonte: AVNews

