Bombardeio russo atinge escola usada como abrigo na Ucrânia e deixa 31 mortos e dezenas de desaparecidos
Ataque na região de Zaporizhzhia provoca destruição, mobiliza equipes de emergência e gera acusações de novos bombardeios contra civis que buscavam proteção.
Uma nova ofensiva militar atribuída à Rússia provocou uma tragédia humanitária no sul da Ucrânia. Pelo menos 31 pessoas morreram e outras 50 permanecem desaparecidas após uma escola utilizada como centro de distribuição de assistência humanitária e abrigo ser atingida por bombardeios na vila de Komyushuvakha, localizada na região de Zaporizhzhia.
O ataque ocorreu na segunda-feira (2), mas as operações de busca e salvamento continuaram nesta terça-feira (3). Equipes de emergência, profissionais de resgate e voluntários trabalham entre os destroços da instalação, na esperança de localizar pessoas que ainda possam estar presas sob os escombros.
O cenário é de destruição. Durante os trabalhos, novos corpos foram encontrados e retirados da área atingida. O elevado número de desaparecidos aumenta a preocupação das autoridades ucranianas com a possibilidade de crescimento do total de vítimas.
A administração militar regional classificou o episódio como uma das ocorrências mais graves envolvendo a população civil desde o início da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022.
Zelensky denuncia segundo bombardeio contra pessoas abrigadas
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, condenou a ofensiva e acusou as forças russas de realizar ataques sucessivos contra o local. Segundo o chefe de Estado, a escola desempenhava uma função exclusivamente humanitária, oferecendo assistência a moradores afetados pela guerra.
De acordo com a versão apresentada pelo presidente ucraniano, um primeiro bombardeio atingiu a instalação, levando diversas pessoas a procurar proteção em um abrigo. Posteriormente, uma nova sequência de explosões teria alcançado justamente o espaço onde os civis estavam refugiados.
Zelensky afirmou que nove bombas adicionais foram lançadas durante a segunda etapa da ofensiva, agravando a destruição e o número de vítimas.
O presidente também criticou a continuidade das operações militares russas contra áreas habitadas e estruturas destinadas ao atendimento da população, acusando Moscou de demonstrar desprezo pela vida dos cidadãos ucranianos.
As acusações apresentadas pelo governo de Kiev ainda dependem de verificação independente quanto às circunstâncias específicas do bombardeio.
Policiais e socorristas estão entre as vítimas
As autoridades locais informaram que quatro policiais e dois profissionais envolvidos nas atividades de resgate estão entre os mortos. Pelo menos outras cinco pessoas sofreram ferimentos.
Informações divulgadas por representantes ucranianos indicam que armamentos de grande capacidade destrutiva foram empregados na operação. Entre os artefatos mencionados estão bombas projetadas para atingir estruturas fortificadas, com cargas explosivas próximas de 1,5 tonelada.
Diante da gravidade da tragédia, a administração regional de Zaporizhzhia anunciou três dias de luto oficial em homenagem às vítimas.
Enquanto familiares aguardam notícias sobre os desaparecidos, os serviços de emergência permanecem mobilizados na região.
Ofensiva contra outras regiões causa feridos e danos a hospitais
O ataque à escola ocorreu em meio a uma ampla ofensiva aérea contra diferentes pontos do território ucraniano.
Segundo informações divulgadas por Zelensky, as forças russas lançaram 289 drones, 17 mísseis balísticos e 59 mísseis de cruzeiro durante a noite, atingindo alvos distribuídos por nove regiões do país.
As explosões provocaram danos a instalações de saúde, edifícios residenciais e sistemas de abastecimento de eletricidade. Algumas localidades precisaram adotar interrupções emergenciais no fornecimento de energia.
Na região de Kharkiv, no nordeste ucraniano, autoridades relataram pelo menos 62 feridos após ataques envolvendo drones e mísseis.
Uma unidade hospitalar localizada no distrito de Nemyshlianskyi sofreu danos, assim como quatro prédios residenciais e diversos veículos. Em razão dos impactos sobre a estrutura de atendimento, mais de 200 pacientes foram encaminhados para outros estabelecimentos de saúde.
A situação também foi grave na região de Dnipro, onde uma pessoa morreu e outras 17 ficaram feridas durante os bombardeios.
Na manhã desta terça-feira, equipes de salvamento conseguiram retirar uma mulher com vida dos escombros. Uma clínica ambulatorial e um hospital também foram atingidos, exigindo a transferência de pacientes.
Os episódios ampliaram a pressão sobre os serviços médicos e de emergência, que já enfrentam dificuldades decorrentes da continuidade dos confrontos.
Moscou relata interceptação de centenas de drones ucranianos
Enquanto a Ucrânia contabilizava os danos provocados pelos ataques russos, autoridades de Moscou divulgaram informações sobre uma grande operação de defesa aérea em território sob controle russo.
De acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, 856 drones ucranianos teriam sido derrubados durante a noite.
O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, informou que 493 aparelhos não tripulados foram direcionados à capital russa, segundo os registros apresentados pelas autoridades locais.
Na cidade de Yaroslavl, uma refinaria de petróleo foi atingida durante uma ofensiva com drones atribuída à Ucrânia. O governador regional, Mikhail Yevrayev, relatou que dois trabalhadores ficaram feridos e que parte da infraestrutura industrial sofreu danos.
Na Crimeia, península ucraniana ocupada e anexada pela Rússia em 2014, autoridades instaladas por Moscou anunciaram interrupções no fornecimento de eletricidade em áreas do sul, oeste e leste do território.
Os cortes foram associados a ataques contra estruturas responsáveis pela distribuição de energia.
População civil enfrenta consequências crescentes da guerra
A intensificação dos bombardeios evidencia a vulnerabilidade das comunidades que continuam vivendo nas regiões próximas aos confrontos.
Instalações destinadas à assistência humanitária, hospitais, residências e redes de fornecimento de energia estão entre as estruturas afetadas pelas recentes operações militares.
O elevado número de vítimas e desaparecidos em Zaporizhzhia também amplia as preocupações relacionadas à proteção de civis e à segurança dos profissionais responsáveis pelo atendimento emergencial.
A legislação internacional humanitária determina que as partes envolvidas em conflitos armados devem distinguir objetivos militares de pessoas e estruturas civis, além de adotar precauções para evitar danos indiscriminados à população.
Enquanto as buscas continuam na escola destruída, familiares aguardam a identificação das vítimas e notícias sobre aqueles que ainda não foram encontrados.
Fonte: G1

