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Caso Larissa: polícia faz busca contra irmã de PM investigado por suspeita de fraude processual

Polícia investiga possível fraude processual e pretende analisar celular de Thamires Matias após identificar divergências entre a versão dela e a apresentada pelo irmão

A Polícia Civil cumpriu, na manhã desta quinta-feira (10), um mandado de busca e apreensão relacionado a Thamires Matias, de 19 anos, irmã do policial militar Vinicius Costa Silva, de 26. O soldado está preso temporariamente enquanto é investigado pela morte da esposa, Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, ocorrida em Embu das Artes, na Grande São Paulo.

A nova diligência ocorreu na residência dos pais do policial, local onde Thamires mora. Segundo informações apuradas durante a investigação, ela não estava no imóvel no momento da chegada dos agentes. Um dos principais objetivos dos investigadores é localizar e analisar o aparelho celular da jovem.

Thamires passou a ser investigada sob suspeita de possível fraude processual. Esse tipo de crime pode ocorrer quando há alteração, manipulação ou criação de circunstâncias com a finalidade de induzir autoridades policiais, peritos ou o Judiciário a erro durante uma investigação.

Até o momento, entretanto, nem Thamires nem Vinicius foram indiciados pelos crimes que estão sendo apurados. A investigação continua em andamento e a Polícia Civil ainda aguarda a conclusão de diferentes exames periciais. As defesas dos irmãos também deverão ter espaço para se manifestar sobre as suspeitas levantadas no inquérito.

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Divergências nos depoimentos chamaram atenção da polícia

A decisão de aprofundar a investigação envolvendo Thamires está relacionada principalmente a diferenças encontradas nas versões apresentadas por ela e pelo irmão.

Vinicius teria declarado às autoridades que sua irmã não estava na residência do casal quando Larissa foi encontrada baleada. Thamires, no entanto, apresentou outra informação aos investigadores e afirmou que estava no imóvel naquele momento.

A divergência passou a ser considerada relevante para a reconstrução da dinâmica dos acontecimentos. A análise do celular poderá ajudar a polícia a verificar comunicações, horários e outros elementos que eventualmente contribuam para esclarecer onde a jovem estava e o que aconteceu antes e depois da morte de Larissa.

Vinicius relatou inicialmente que havia conversado com a esposa sobre uma separação e depois ido dormir. Segundo a versão apresentada pelo policial, algum tempo depois ele teria ouvido um barulho vindo do banheiro e, ao verificar o local, encontrado Larissa caída e ferida por um disparo.

O próprio PM acionou a corporação para o atendimento da ocorrência e também comunicou familiares da mulher sobre o que havia acontecido.

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Morte passou a ser investigada sob suspeita de feminicídio

Larissa, que trabalhava como técnica em radiologia, foi encontrada morta no banheiro da residência onde vivia com Vinicius e com o filho do casal, de 2 anos. Ela apresentava um ferimento provocado por disparo de arma de fogo na cabeça.

A primeira versão apresentada pelo marido apontava para a possibilidade de suicídio. O avanço das análises periciais, porém, levou os investigadores a questionarem essa hipótese.

Um dos elementos considerados relevantes foi a trajetória do projétil. Conforme informações da perícia, o disparo percorreu uma direção da esquerda para a direita. Como Larissa era destra, esse dado passou a ser analisado como incompatível ou pouco provável diante da versão inicial apresentada sobre a morte.

Outro ponto observado pelos peritos é que o tiro não teria ocorrido com a arma encostada na cabeça da vítima. A avaliação preliminar indica que existia determinada distância entre a pistola e Larissa no momento do disparo.

Os investigadores trabalham ainda com a possibilidade de que a técnica em radiologia estivesse em pé e tivesse sido atingida pelas costas. A reconstrução definitiva da dinâmica, entretanto, depende da conclusão dos exames técnicos.

Embora o registro da ocorrência continue inserido na investigação de uma morte considerada suspeita, a hipótese de feminicídio ganhou força no decorrer das apurações.

Vinicius foi preso temporariamente por decisão judicial e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, localizado na Zona Norte da cidade de São Paulo.

Perícia encontrou hematomas no corpo de Larissa

O laudo necroscópico apontou que Larissa morreu em razão de traumatismo craniano provocado pelo ferimento causado por arma de fogo.

A pistola pertencente a Vinicius foi encontrada próxima ao corpo da vítima e também está sendo submetida aos procedimentos periciais necessários para esclarecer a ocorrência.

Outro dado que chamou a atenção dos investigadores foi a identificação de diversos hematomas no corpo de Larissa. Segundo as informações periciais divulgadas, foram constatadas 14 marcas distribuídas por diferentes regiões.

As lesões foram observadas, entre outros locais, na mão esquerda, no dorso da mão direita, nos pés, joelhos e na perna esquerda. A investigação busca compreender quando e de que maneira esses ferimentos foram produzidos e se possuem alguma relação direta com a morte.

Familiares de Larissa também prestaram informações à polícia e relataram episódios anteriores que, segundo eles, envolviam comportamento possessivo, ciúmes, agressões e ameaças. Esses relatos ainda precisam ser analisados conjuntamente com provas técnicas, depoimentos e demais elementos do inquérito.

Parentes da vítima também mencionaram uma possível motivação patrimonial. Larissa teria recebido imóveis como herança familiar, circunstância que passou a integrar as linhas consideradas pelos investigadores. Até a conclusão da investigação, porém, não há definição oficial sobre a motivação da morte.

Casa será analisada novamente com scanner 3D e luminol

A investigação deverá ter uma nova etapa de perícia na residência do casal nesta sexta-feira (11). Técnicos do Instituto de Criminalística pretendem utilizar scanner tridimensional e luminol para buscar informações adicionais no imóvel.

O scanner 3D permite produzir uma representação detalhada do ambiente e poderá auxiliar na comparação das posições, distâncias e alturas envolvidas no episódio.

Com essa tecnologia, os especialistas poderão avaliar de maneira mais precisa a trajetória do disparo e testar a compatibilidade entre os vestígios encontrados e as diferentes versões apresentadas durante a investigação.

O luminol, por sua vez, é utilizado para revelar possíveis vestígios de sangue que podem não estar facilmente visíveis a olho nu, inclusive em superfícies que tenham passado por algum tipo de limpeza.

Os resultados desses novos procedimentos serão confrontados com os laudos já produzidos, as informações obtidas nos depoimentos e os dados que eventualmente forem encontrados nos aparelhos eletrônicos analisados.

A Polícia Civil ainda não concluiu de que maneira Larissa morreu nem definiu formalmente todas as responsabilidades relacionadas ao episódio. A apuração permanece em andamento e deverá depender especialmente dos resultados periciais antes de eventuais indiciamentos.

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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