Profissionais da educação municipal iniciam greve em Curitiba; secretário diz que 95% das escolas seguem atendendo
Paralisação ocorre após Justiça considerar greve ilegal e prever multas. Categoria aponta falta de estrutura e profissionais na rede municipal de ensino.
Os profissionais da educação da rede municipal iniciaram uma greve na manhã desta quarta-feira (8), em Curitiba. Algumas escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) tiveram as aulas suspensas.
Até a última atualização desta reportagem, 216 CMEIs aderiram à paralisação, segundo o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc).
O secretário municipal de educação, Paulo Schmidt, afirmou que cerca de 95% das unidades continuam atendendo alunos, mesmo com a paralisação, e disse esperar a normalização a partir de quinta-feira (9).
“Desde que nós tivemos o anúncio de greve, trabalhamos num plano de mitigação. Tanto que hoje, uma parte deste funcionamento está sendo garantido com o pessoal aqui da secretaria e um pessoal dos núcleos, porque nossa prioridade é atender os alunos. […] Temos que sentar, discutir, conversar e garantir que a população não tenha maiores prejuízos”, falou o secretário.
Segundo o Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (SISMMAC) e o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc), a paralisação foi motivada por uma série de reivindicações da categoria. São elas:
- Falta de profissionais nas escolas, com sobrecarga e adoecimento de professores;
- Ausência de apoio para inclusão, com falta de profissionais especializados e turmas superlotadas;
- Desorganização no início do ano letivo, com orientações improvisadas e aulas fora da área de formação dos docentes;
- Problemas estruturais nas escolas, como obras inacabadas e uso de espaços improvisados
- Falhas na instalação de ar-condicionado, com equipamentos que não funcionam ou oferecem riscos
- Desvalorização profissional, com falta de reconhecimento para professores com especialização, mestrado e doutorado
No início da manhã, os profissionais se concentraram na Praça 19 de Dezembro, no Centro da capital, e partiram em caminhada em direção à prefeitura. Os profissionais da educação estavam em estado de greve desde novembro de 2025.
Decisão da Justiça
O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) considerou ilegal a paralisação. Em uma primeira liminar, o desembargador Ramon de Medeiros Nogueira disse que a “greve é abusiva” e estabeleceu multa diária de R$ 100 mil ao Sismmac, caso o movimento fosse iniciado, além do desconto dos salários dos servidores que aderirem.
A decisão indica que não houve esgotamento das negociações, nem garantia de percentual mínimo de servidores em atividade. Também aponta que o prazo mínimo de 72 horas para comunicação da greve não foi respeitado.
Uma segunda liminar, assinada pelo desembargador Coimbra de Moura, determinou que o Sismuc não iniciasse a paralisação nem impedisse o acesso de servidores e usuários às unidades educacionais. O descumprimento prevê multa diária de R$ 20 mil.

