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Militar do Exército é detido após acusação de assédio contra PM em bloco no Ibirapuera

Carnaval termina com prisão, tensão e investigação interna nas Forças Armadas

O que era para ser mais um dia de festa no circuito de blocos do Parque Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo, terminou com detenção, acusação de assédio e abertura de processo administrativo militar.

Um cadete do Exército foi detido na terça-feira (17) acusado de assediar uma policial militar que atuava no monitoramento da multidão durante o desfile carnavalesco.

O caso ganhou contornos ainda mais delicados após a confirmação de que o homem que aparece em vídeos sendo agredido por policiais é o mesmo militar conduzido à delegacia.

O que aconteceu

Segundo informações da Secretaria da Segurança Pública (SSP), o militar teria feito gestos e enviado beijos na direção de uma policial militar que estava posicionada em uma torre de observação acompanhando o fluxo de foliões.

De acordo com o relato oficial, o cadete ignorou ordens para cessar o comportamento.

Ao ser abordado, ainda segundo a SSP:

  • Teria desacatado verbalmente os agentes;

  • Se recusado a apresentar documento de identificação;

  • Investido fisicamente contra a equipe policial.

A corporação afirma que técnicas de contenção e o uso de algemas foram empregados para preservar a integridade dos policiais e do próprio abordado.

Condução à delegacia e custódia militar

O caso foi registrado no 27º Distrito Policial, no Campo Belo.

Após o registro da ocorrência, a Polícia do Exército foi acionada. O militar permanece sob custódia no 8º Batalhão de Polícia do Exército.

Em nota oficial, o Comando Militar do Sudeste informou que abriu processo administrativo para apurar a conduta do cadete.

“O Comando não compactua com desvios de conduta e da ética militar”, declarou a instituição, acrescentando que medidas disciplinares poderão ser adotadas após a apuração.

Vídeos mostram agressão durante abordagem

Imagens que circularam nas redes sociais mostram um grupo de policiais militares agredindo um homem desarmado ao lado de uma torre de observação da PM no circuito do Ibirapuera.

A SSP confirmou que o homem nas imagens é o mesmo militar detido por suspeita de assédio.

Até o momento, não houve confirmação oficial sobre eventual abertura de investigação interna para apurar a conduta dos policiais envolvidos na abordagem.

O episódio ocorreu durante o cortejo do bloco “Solteiro Não Trai”, que se apresentava na região.

 Duas frentes de apuração

O caso agora se desdobra em duas linhas distintas:

1️⃣ A investigação da conduta do cadete do Exército por possível assédio e desacato.
2️⃣ A análise das imagens que mostram a abordagem policial com uso de força.

Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que, em casos envolvendo militares das Forças Armadas em ocorrências civis, a apuração disciplinar ocorre paralelamente às eventuais responsabilidades na esfera comum.

Carnaval sob tensão

O episódio ocorre em meio a um dos maiores circuitos carnavalescos da capital paulista, que reúne milhares de foliões e exige forte aparato de segurança.

Entre música, multidão e celebração, o caso reacende debates sobre:

  • Conduta de agentes públicos fora do serviço;

  • Limites da abordagem policial;

  • Segurança e respeito às mulheres durante eventos de grande porte.

 O que pode acontecer agora

O processo administrativo militar poderá resultar em advertência, punição disciplinar ou outras medidas previstas no regulamento interno do Exército.

Já na esfera civil, a investigação conduzida pela Polícia Civil deverá apurar as circunstâncias do ocorrido.

O caso segue em acompanhamento e pode ter novos desdobramentos nos próximos dias.

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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