Memória afetiva: paranaense guarda picape de 1954 que marcou o próprio nascimento
Veículo levou a mãe da professora aposentada Zina do Carmo às pressas para a maternidade, em São José dos Pinhais, durante um parto de risco. Desde então, o carro é mantido pela família.
A professora aposentada Zina do Carmo tem uma conexão especial com sua picape. Quem hoje vê o veículo estacionado na garagem da casa dela, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), ou exposto em encontros de carros antigos, dificilmente imagina a história por trás da admiração.
A caçamba dessa mesma caminhonete quase foi o primeiro berço de Zina.
Ela nasceu em novembro de 1962. Quinze dias antes do parto, o pai havia comprado o veículo. Foi na picape que a mãe de Zina foi levada às pressas para a maternidade, diante de um parto de risco e da dificuldade de acesso das ambulâncias às estradas de terra da época.
Com o pai ao volante e um colchão improvisado na caçamba para acomodar a mãe, eles conseguiram chegar ao hospital a tempo para que o parto fosse realizado com segurança.
Hoje, mãe de dois filhos, Zina relembra a história com outro olhar.
“A fala do médico dizendo que a vida estava correndo perigo, tanto a minha quanto a da minha mãe. Eu fico pensando em quanta aflição teve nesse percurso da minha casa até chegar na maternidade”, relata.
Apesar do susto, tudo terminou bem. A história passou a ser lembrada com carinho na família, principalmente entre mãe e filha.
Caminhonete continua na família
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Anos depois, em 1993, o pai de Zina decidiu sortear a caminhonete entre ela e os outros três filhos. Mas a ideia não foi adiante.
“De prontidão, o meu irmão, que poderia ser o que tivesse mais interesse, disse: ‘Pai, eu acho que esse carro tem uma história tão linda da vida da Zina, você não deveria sortear’. Minhas duas irmãs também, imediatamente, falaram: ‘esse carro tem que ficar com a Zina'”, lembra.
A picape é um modelo de 1954 e permanece preservada até hoje, com a estrutura e a cor originais, um tom chamado Verde Amazonas. A última restauração foi feita em 1998 e, desde então, o veículo continua bem cuidado.
Atualmente, o veículo participa de eventos de carros antigos, reunindo novos admiradores e até recebendo ofertas de compra. Mas Zina garante que a caminhonete deve permanecer na família.
“Ela tem um valor afetivo, para mim ela não tem preço. Eu tenho um casal de filhos e sempre digo para eles: ‘ela tem que continuar na nossa família’ . Quem cuidar da caminhonete vai ficar com ela de herança”, afirma.

