Nascido em 8 de outubro de 1941, em Greenville, na Carolina do Sul — em pleno regime de segregação racial — Jesse Jackson cresceu em um cenário marcado por profundas desigualdades.
Na década de 1960, tornou-se próximo de Martin Luther King Jr. e ganhou projeção nacional ao atuar na Southern Christian Leadership Conference (SCLC), organização liderada por King.
Jackson estava ao lado de King em Memphis no dia do assassinato do líder dos direitos civis, em 1968 — um momento que redefiniu os rumos do movimento e ampliou ainda mais sua atuação política.
A ousadia de disputar a presidência
Jesse Jackson entrou para a história ao disputar duas vezes a indicação do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos, em 1984 e 1988. Sua candidatura rompeu barreiras simbólicas e ampliou a participação política de minorias no cenário nacional.
Ele mobilizou milhões de eleitores, defendeu políticas de inclusão social e abriu espaço para que novas lideranças negras alcançassem projeção nacional décadas depois.
Organizações que viraram legado
Ao longo da vida, Jackson fundou movimentos que se tornaram referências na luta por justiça social, como a Operation PUSH (1971) e a National Rainbow Coalition (1983), posteriormente integradas na Rainbow PUSH Coalition.
Essas iniciativas ampliaram o debate sobre igualdade racial, direitos trabalhistas, inclusão econômica e acesso ao voto.
Além da atuação doméstica, Jackson também participou de negociações diplomáticas e missões humanitárias em diferentes partes do mundo.
“Um líder servidor”, diz família
Em nota oficial, a família afirmou que Jackson morreu de forma pacífica, cercado por parentes.
A declaração destaca seu compromisso com justiça, igualdade e direitos humanos, descrevendo-o como uma liderança que deu voz aos marginalizados e oprimidos.
Ele deixa esposa, filhos e netos, além de um legado político e social que atravessa gerações.
Um capítulo essencial da história americana
Jesse Jackson não foi apenas um pastor ou candidato presidencial. Ele foi uma ponte entre o movimento liderado por Martin Luther King Jr. e as novas gerações de ativistas e líderes políticos.
Sua trajetória ajudou a moldar o debate contemporâneo sobre raça, democracia e participação cidadã nos Estados Unidos.
Com sua morte, encerra-se uma era. Mas as pautas que ele defendeu seguem vivas — ecoando nas ruas, nas urnas e nos discursos que ainda clamam por igualdade.
A reportagem continuará acompanhando as homenagens e repercussões internacionais.