Israel reabre parcialmente passagem de Rafah; primeiro dos 20 mil palestinos que buscam tratamento médico já está no Egito
Milhares de palestinos feridos na guerra entre Israel e Hamas esperavam a reabertura da fronteira entre Gaza e Egito. Liberação, no entanto, deve ser de apenas 50 pessoas por dia.
Israel reabriu nesta segunda-feira (2) a passagem de Rafah, que fica na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito, quase dois anos após ter tomado o controle e fechado o local em meio à guerra com o grupo terrorista Hamas.
A reabertura é válida para o trânsito de pessoas a pé e de ambulâncias. A medida permitirá que palestinos deixem o território e também o retorno daqueles que fugiram da guerra e agora desejam voltar.
Dezenas de ambulâncias foram vistas dos dois lados da fronteira nesta segunda, algumas no lado egípcio da fronteira esperando para buscar palestinos feridos durante o conflito e outras embarcando pacientes de hospitais de Gaza para levá-los à fronteira. O primeiro paciente palestino já cruzou a fronteira em direção ao Egito, informaram as agências de notícias, por volta das 12h50 no horário de Brasília.
Cerca de 20 mil palestinos esperavam a reabertura de Rafah para ir buscar tratamento médico fora de Gaza, segundo ONGs que monitoram a situação.
A reabertura, no entanto, será limitada. Israel exigirá verificações de segurança para os palestinos que entrarem e saírem. Já era esperado que Israel e o Egito impusessem limites ao número de viajantes. Segundo a mídia estatal ligada ao governo egípcio, apenas 50 pessoas seriam autorizadas a atravessar a passagem em cada sentido nos primeiros dias. Uma fonte palestina confirmou o mesmo número à agência de notícias Reuters.
A reabertura da passagem de Rafah ocorreu no âmbito do cessar-fogo na guerra entre Israel e Hamas mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e assinado em outubro de 2025. A medida era um requisito importante da primeira fase do plano de paz.
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Nos primeiros nove meses da ofensiva de Israel em Gaza, lançada após o ataque do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, os palestinos geralmente conseguiam fugir para o Egito pela passagem de Rafah.
Autoridades palestinas dizem que cerca de 100 mil palestinos fugiram de Gaza desde o início da guerra, a maioria deles durante os primeiros nove meses. Alguns foram patrocinados por grupos de ajuda humanitária. Outros pagaram propinas a intermediários no Egito para garantir permissão para sair.
Israel fechou a passagem de Rafah depois que suas forças avançaram sobre a área e também fechou o corredor Filadélfia, que percorre toda a fronteira de Gaza com o Egito.
O fechamento interrompeu uma rota importante para que palestinos feridos e doentes buscassem atendimento médico fora de Gaza. Alguns milhares foram autorizados a sair para tratamento médico em outros países via Israel ao longo do último ano, embora milhares ainda precisem de cuidados no exterior, segundo as Nações Unidas.
Apesar da reabertura de Rafah, Israel continua se recusando a permitir a entrada de jornalistas estrangeiros, que estão proibidos de entrar em Gaza desde o início da guerra. O conflito causou uma destruição generalizada e devastou grandes áreas do território.

