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Gregory Bovino: chefe de operação anti-imigração nos EUA é removido de cargo após morte de enfermeiro, diz agência

Gregory Bovino, comandante da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos ligado às operações federais de imigração em Minneapolis, deixará o posto de “comandante em missão especial” e será realocado, segundo fontes ouvidas pela Reuters e pelo The New York Times nesta segunda-feira (26).

A decisão foi tomada após a morte do enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, baleado por um agente federal de imigração durante uma ação em Minneapolis. O episódio ocorreu duas semanas depois da morte de uma outra cidadão americana, também durante uma operação na região.

Bovino ascendeu a cargos de comando no governo de Donald Trump, em meio à pressão por uma aplicação mais rígida da política de deportações. Ele passou por cidades como Los Angeles e Chicago antes de assumir a coordenação das operações em Minneapolis, onde ganhou maior visibilidade.

Após a morte de Pretti, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que o homem representava uma ameaça aos agentes. Bovino endossou essa versão e afirmou, sem apresentar provas, que o enfermeiro planejava um “massacre” contra policiais.

Segundo o New York Times, a decisão de realocar Bovino foi tomada depois dessas declarações. Ainda de acordo com o jornal, parte dos agentes federais destacados para Minneapolis deve começar a deixar a cidade nesta terça-feira (27).

A revista The Atlantic acrescentou que Bovino deve retornar ao antigo posto que ocupava na Califórnia, onde estaria perto da aposentadoria. A Casa Branca, no entanto, negou que ele tenha sido retirado das funções e afirmou que o agente segue como uma “peça fundamental” da equipe de Trump.

A morte de Pretti gerou uma onda de manifestações contra o governo Trump e operações anti-imigratórias nos EUA. A ação foi criticada até mesmo por associações pró-armas, que simpatizam com o presidente.

Gregory Bovino com seus agentes do ICE em Minneapolis — Foto: AP foto/Tom Baker

Morte

Autoridades federais disseram que Pretti estava armado durante a abordagem e que teria sacado a arma. Por este motivo, segundo o governo, um dos agentes atirou contra ele. A versão, no entanto, é contestada.

O jornal The New York Times analisou os vídeos da abordagem. Pelas imagens, não há qualquer sinal de que ele tenha sacado a arma. Também não há indícios de que os agentes soubessem que Pretti estava armado.

A análise do vídeo feita pelo NYT mostra:

  • Pretti se coloca entre uma mulher e um agente de imigração que usava spray de pimenta contra ela.
  • A imagem mostra o enfermeiro segurando um celular em uma mão e sem nada na outra.
  • Ele é cercado por um grupo de 7 agentes de imigração, derrubado e imobilizado no chão.
  • Um dos agentes se aproxima e parece retirar uma arma, enquanto outro joga repetidamente spray de pimenta em Pretti.
  • O agente que teria retirado a arma se afasta.
  • Ao mesmo tempo, enquanto Pretti está ajoelhado e imobilizado, o agente que se encontra diretamente acima dele aparenta disparar um tiro à queima-roupa no enfermeiro.
  • Imediatamente depois, são feitos mais disparos.

 

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos classificou o caso como um ataque contra agentes. A secretária Kristi Noem disse que Pretti estava no local para “perpetuar a violência”.

Enquanto isso, autoridades locais criticaram a ação dos agentes federais. O governador de Minnesota, Tim Walz, disse que as imagens são “revoltantes” e declarou que o estado não confia no governo federal para conduzir a investigação sobre o caso.

Já o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, questionou quantos moradores ainda precisarão morrer para que as operações federais na cidade sejam encerradas.

Alex Pretti, o homem que foi baleado por um agente federal em Minneapolis no sábado, 24 de janeiro de 2026 — Foto: AP
Alex Pretti, o homem que foi baleado por um agente federal em Minneapolis no sábado, 24 de janeiro de 2026 — Foto: AP

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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