Gêmeas unidas pela cabeça recebem alta após segunda cirurgia em Ribeirão Preto, SP
Heloísa e Helena passaram pelo procedimento no dia 8 de novembro, no Hospital das Clínicas. A expectativa é de que a próxima etapa ocorra no fim de fevereiro de 2026.
Pai das gêmeas Heloísa e Helena, de 1 ano e dez meses, que nasceram unidas pela cabeça, Amarildo Batista da Silva disse na quarta-feira (26) que não perde a esperança de ver um futuro para as filhas, mas vive um dia após o outro.
As meninas tiveram alta 19 dias após a segunda cirurgia de separação dos crânios. A expectativa é de que a próxima etapa ocorra no fim de fevereiro de 2026.
“É bem complicado imaginar [o futuro]. A gente vai vivendo um dia atrás do outro para o desenrolar das coisas. A gente não pode perder a esperança, porque é o mais importante para a gente conseguir levá-las até onde tem de levar”.
O segundo procedimento para separação das gêmeas siamesas aconteceu no dia 8 de novembro, no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP). A primeira cirurgia foi realizada no dia 23 de agosto.
“Finalmente estamos indo pra casa. Meu coração está tranquilo, graças a Deus ocorreu tudo bem. Estou feliz e satisfeito com a equipe, um trabalho maravilhoso dele”, disse Amarildo após a alta das meninas.
Ele acompanha as filhas em todos os procedimentos e disse que, desta vez, também ficou nervoso enquanto aguardava a cirurgia terminar.
“Sempre preocupa. Nesta segunda [cirurgia] eu estava preocupado também, mas não era aquela primeira vez, que a gente fica sempre com mais preocupação. Tenho muita esperança e muita fé que já está dando tudo certo. Só tenho a agradecer”.
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Segundo o HC, todo o processo cirúrgico até a separação total das irmãs deve durar um ano. Ainda estão previstos mais três procedimentos.
A segunda cirurgia de separação de Heloísa e Helena durou dez horas. Desta vez, foi realizada mais uma etapa de separação dos cérebros.
“Conseguimos completar as incisões cutâneas, unindo com os cortes iniciais que fizemos em agosto”, disse o médico Jayme Farina Junior, que comanda a equipe multiprofissional envolvida no procedimento.
As gêmeas siamesas são de São José dos Campos (SP). Planejado desde 2024, o procedimento consolidado pelos médicos da USP nos últimos anos é composto por cinco fases espaçadas por meses.
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Cirurgia delicada e espaçada
Elaborado com uso de modelos tridimensionais e realidade aumentada, nas quatro primeiras etapas o procedimento foca na separação dos tecidos, vasos sanguíneos e estruturas que unem os crânios e os cérebros.

“Tem que ser uma separação muito delicada, não pode ser rápida, porque provoca muito sangramento, é uma cirurgia bem delicada e o cérebro precisa ir se adaptando.”
Na quarta etapa, os médicos também aproveitam para inserir enxertos ósseos e expansores de pele, o que serve de preparação para a etapa final, de cirurgia plástica, com o fechamento dos tecidos que revestem as cabeças.
De acordo com Farina Junior, a terceira e quarta etapas devem ser realizadas no fim de fevereiro e em março. Em meados de 2026, deve ocorrer a separação total.

