‘Epidemia de micropênis’: médicos alertam para desinformação e riscos de tratamentos hormonais
Vídeos virais nas redes sociais alertam sobre suposta alta de casos de micropênis no país e incentivam pais a medir o órgão genital das crianças. Sociedades médicas desencorajam diagnósticos caseiros e reiteram que condição é rara.
Apesar de não haver evidências científicas de aumento de casos de micropênis em crianças ou adultos no Brasil, diversos vídeos nas redes sociais viralizam ao alertar sobre uma “epidemia de micropênis” no país.
Boa parte do conteúdo incentiva que pais e responsáveis meçam o pênis de crianças em casa e sugerem, de maneira errada, a existência de muitos casos de micropênis no Brasil.
E, nesse cenário, as sociedades médicas reiteram: não existe epidemia de micropênis.
➡️Um estudo apresentado em 2025, no 40º Congresso Brasileiro de Urologia, evidencia essa realidade. A pesquisa avaliou 99 crianças e nenhuma apresentava micropênis. Ainda assim, 24% dos pais acreditavam que o tamanho do pênis do filho estava abaixo do normal, mesmo quando o exame médico mostrava desenvolvimento adequado para a idade.
Em uma nota conjunta, divulgada nesta quarta-feira (25), a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Pediátrica (CIPE) contestam as informações que circulam nas redes e denunciam riscos à saúde infantil.
“Estamos vendo um movimento preocupante de banalização de diagnósticos complexos e de incentivo ao uso indevido de hormônios, o que pode trazer consequências graves e irreversíveis”, afirma Roni Fernandes, presidente da SBU.
Os médicos reforçam que o micropênis é uma condição rara e que o diagnóstico exige avaliação clínica criteriosa, realizada por médicos especializados. (veja mais abaixo)

