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‘Ela vendeu as netas’: avó teria facilitado e negociado encontro entre duas menores e piloto acusado de abuso

A prisão de um piloto de avião no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, revelou um dos detalhes mais perturbadores da investigação: segundo a polícia, a própria avó de duas adolescentes teria facilitado e intermediado encontros entre o suspeito e as netas.

A mulher, de 53 anos, foi presa e é apontada como figura central no esquema que, conforme apuração policial, teria funcionado por pelo menos cinco anos.

A investigação está sob responsabilidade da Delegacia de Repressão à Pedofilia, que conduz o inquérito em sigilo.

Acusação grave: exploração e produção de material ilícito

De acordo com a delegada Luciana Peixoto, responsável pelo caso, a suspeita teria participado ativamente da intermediação dos encontros.

Segundo a autoridade policial, os indícios apontam que as adolescentes eram levadas ao piloto para a prática de crimes de exploração sexual e produção de material ilícito.

As vítimas foram ouvidas na unidade especializada. Uma delas já atingiu a maioridade, mas, conforme a investigação, os abusos teriam começado ainda na adolescência. A outra vítima tem atualmente 14 anos, com relatos que indicam início das ocorrências quando ainda era criança.

Movimentações cruzadas e operação no aeroporto

Após colher os depoimentos, a polícia cruzou as informações com registros de deslocamento do suspeito. Segundo os investigadores, as datas coincidiam com viagens profissionais do piloto.

Morador do interior paulista, ele circulava com frequência por São Paulo, utilizando voos com origem ou destino nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos como justificativa para estar na capital.

A prisão ocorreu em uma ação planejada no saguão do Aeroporto de Congonhas. O piloto foi conduzido à delegacia instalada no próprio terminal.

Durante o interrogatório, segundo a polícia, ele teria admitido envolvimento com menores e mostrado conteúdos armazenados em seu celular.

Relatos indicam coação e ameaças

De acordo com a investigação, as vítimas relataram que, em diversas ocasiões, não desejavam participar dos encontros ou da produção de imagens, mas teriam sido coagidas.

A polícia também ouviu familiares e vizinhos, que mencionaram movimentações consideradas suspeitas na residência da avó. Ainda assim, o receio de denunciar teria dificultado uma intervenção mais precoce.

A Secretaria de Segurança Pública reforça que denúncias podem ser feitas pelo Disque 100 ou pelo 181, com garantia de anonimato.

Estratégia de aproximação e vulnerabilidade

Segundo os investigadores, o suspeito mantinha um padrão de aproximação gradual. Ele se apresentava como cordial, estabelecia diálogo com familiares em locais públicos e, posteriormente, oferecia presentes e ajuda financeira.

A delegada responsável afirmou que, em alguns casos, as famílias enfrentavam dificuldades econômicas, circunstância que pode ter sido explorada pelo investigado.

Possíveis vítimas em outros estados

A apuração também indica que podem existir vítimas fora de São Paulo. Há indícios de que o suspeito tenha mantido contato com adolescentes em outros estados, incluindo o Espírito Santo.

A companhia aérea confirmou a demissão do piloto. A defesa informou que o caso tramita sob segredo de Justiça e que não se manifestará publicamente neste momento.

Impacto profundo nas vítimas

Especialistas que acompanham casos semelhantes alertam para os danos psicológicos duradouros causados por esse tipo de crime.

Segundo a delegada Luciana Peixoto, as vítimas frequentemente carregam sentimentos de culpa e desvalorização, marcas emocionais que podem se estender por toda a vida adulta.

A investigação segue em andamento, e novas diligências devem ser realizadas para apurar a extensão do caso.

A reportagem continuará acompanhando os desdobramentos judiciais e eventuais novas revelações.

Piloto admite à polícia envolvimento com menores e mostra registros das vítimas no celular — Foto: Reprodução/TV Globo
Piloto admite à polícia envolvimento com menores e mostra registros das vítimas no celular — Foto: Reprodução/TV Globo

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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