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“Ela implorava por remédio mais forte”, relata tia de mulher que teve o corpo queimado em festa de carnaval em Mogi

Vítima será transferida para hospital especializado após apelo da família

Dor intensa, mensagens desesperadas e um pedido por “tratamento digno”. A família de Jennifer Rodrigues Monteiro, de 30 anos, denuncia que a jovem enfrentava sofrimento extremo enquanto estava internada na Santa Casa de Mogi das Cruzes, após ter o corpo atingido por chamas durante uma festa de carnaval realizada no Clube de Campo da cidade.

Após pressão e reclamações públicas, a transferência da paciente foi agendada para esta terça-feira (17), às 9h, para a Santa Casa de São José dos Campos, onde passará por avaliação especializada.

“Ela não deveria estar acordada sentindo tudo isso”

Segundo relato da tia da vítima, Adriana Rodrigues, Jennifer estava consciente nos primeiros dias de internação e enviava mensagens pedindo medicação mais forte para suportar as dores.

“Ela implorava por algo mais forte. Não deveria estar acordada sentindo toda essa dor”, afirmou a familiar.

No início da tarde desta segunda-feira (16), a família informou que Jennifer já estava entubada e sedada.

As queimaduras, segundo os parentes, atingiram grande parte do corpo. A Santa Casa divulgou inicialmente que 31,5% da superfície corporal foi afetada, mas a família contesta esse percentual e afirma que a extensão pode ser maior.

 O que diz o hospital

Em nota, a Santa Casa de Mogi das Cruzes informou que a transferência foi definida pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) e que, até a remoção, a paciente segue sob cuidados da unidade.

O hospital também comunicou que Jennifer passou por procedimento cirúrgico para limpeza das feridas no centro cirúrgico no domingo (15).

A Secretaria Estadual de Saúde foi procurada para comentar o caso, mas não havia se manifestado até o fechamento desta reportagem.

O acidente no baile de carnaval

O episódio aconteceu durante o evento “Abre Alas”, realizado na sexta-feira (13), no salão social do Clube de Campo de Mogi das Cruzes.

De acordo com testemunhas, o incêndio começou no momento da reposição de um réchaud — equipamento utilizado para manter alimentos aquecidos em buffets. Uma combustão repentina teria ocorrido após o manuseio de combustível no equipamento.

Uma pessoa presente na festa relatou que viu a funcionária manuseando o réchaud quando as chamas se espalharam rapidamente. Jennifer teria sido atingida diretamente pelo fogo.

Além dela, outras pessoas próximas também sofreram ferimentos, mas em menor gravidade.

O que dizem os envolvidos

Buffet

O Perfil Buffet, empresa para a qual Jennifer trabalhava, informou que o incidente foi pontual e ocorreu durante uma etapa operacional da cozinha, atribuindo o episódio a uma troca indevida de insumos.

A empresa declarou que prestou atendimento imediato e que reforçará seus protocolos internos de segurança.

Clube de Campo

O Clube de Campo de Mogi das Cruzes classificou o caso como uma “combustão inesperada” e afirmou que todas as medidas de segurança previstas para eventos foram adotadas. A diretoria declarou estar acompanhando o caso e mantendo contato com os envolvidos.

 Família cobra transparência e assistência

Enquanto as investigações avançam, a prioridade da família é garantir atendimento especializado para Jennifer. O temor maior, segundo os parentes, é o risco de infecção e complicações decorrentes da extensão das queimaduras.

O caso levanta questionamentos sobre protocolos de segurança em eventos e o manuseio de equipamentos com combustível inflamável.

A reportagem seguirá acompanhando o estado de saúde da vítima, a transferência hospitalar e possíveis desdobramentos na apuração das responsabilidades.

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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