Casa feita em impressora 3D? Bienal traz projetos inovadores de todos os estados do Brasil e mostra arquitetura na prática
Casa feita em impressora 3D? Bienal traz projetos inovadores de todos os estados do Brasil e mostra arquitetura na prática
Uma casa com pilares “impressos” por um robô, inspirados no formato de um galho de bananeira e montados como peças de Lego será uma das principais atrações da Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB), que começa nesta quarta-feira (25), no Parque Ibirapuera, Zona Sul de São Paulo.
Desenvolvido pelo escritório de arquitetura Superlimão em parceria com a startup Portal 3D e o laboratório Digital Constrution Lab da Universidade de São Paulo (USP), o projeto aposta em uma tecnologia ainda pouco difundida no país: a impressão 3D de concreto em larga escala.
A proposta vai além da estética e apresenta, na prática, novas formas de construir com menos material, mais eficiência e menor dependência de mão de obra.
Como funciona a impressão 3D de concreto
A estrutura da casa é formada por pilares produzidos por um braço robótico usado na indústria automotiva e adaptado para a construção civil. O robô funciona como uma impressora 3D em escala ampliada. Em vez de tinta ou plástico, ele deposita um microconcreto de alta resistência, camada por camada, até formar as paredes.
Cada pilar leva cerca de quatro horas para ser produzido. O processo é feito em etapas, com pausas para garantir o resfriamento do material antes da aplicação das camadas seguintes.
A tecnologia combina equipamentos já conhecidos no canteiro de obras, como bomba e misturador de concreto, com softwares sofisticados e linguagem de programação.
Segundo Mateus Fernandes, fundador da Portal 3D, a adaptação de tecnologias já existentes foi essencial para viabilizar o projeto.
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“Isso aqui é um robô que já é utilizado na indústria automobilística. A gente o adapta para a nossa realidade e usa para depositar concreto camada por camada”, explicou.
Além da precisão, a tecnologia também responde a uma demanda crescente da construção civil: a falta de mão de obra. Com o sistema, duas pessoas conseguem operar o equipamento sem esforço físico intenso.
“A dor do construtor hoje é mão de obra. Está cada vez mais difícil encontrar profissionais para esse tipo de trabalho, que é muito pesado. O robô vem para auxiliar isso”, disse Fernandes.
Biomimética e sustentabilidade
Mais do que uma solução tecnológica, o projeto parte de uma lógica simples: observar como a natureza resolve problemas complexos. Tecnicamente, isso se chama biomimética, ou seja, mimetizar as soluções já criadas pela natureza ao longo de bilhões de anos.
- Os pilares foram inspirados no formato do galho da folha da bananeira, uma estrutura leve, mas resistente;
- Em vez de tijolos sólidos e pesados, a proposta foi criar peças ocas, com cavidades internas que lembram sistemas naturais como ossos de pássaros, que funcionam como colchões de ar;
- Isso tudo ajuda a manter a temperatura interna mais estável, melhorando o isolamento acústico.
Se por fora a casa chama atenção pelo formato, por dentro a lógica é de economia e eficiência. Ao trabalhar com estruturas ocas e otimizadas, o projeto consegue usar menos concreto sem perder resistência. Isso reduz custos, diminui o impacto ambiental e ainda melhora o desempenho térmico da casa.



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