Cão ‘latino’ que teve a família detida pelo ICE viraliza por só atender aos comandos em espanhol
Cachorro morava com família mexicana que foi detida por agentes do ICE para ser deportada. Após vagar sozinho, ele ganhou uma nova família. Mas a adaptação só foi possível após uma descoberta incrível da nova tutora.
A história do cão Eclipse viralizou nas redes sociais nos Estados Unidos e tem chamado atenção para as cicatrizes da política de imigração do governo Trump.
Tudo começou quando Jaime Simpson, que mora no Arizona, estava andando pela vizinhança e encontrou um cachorro perdido.
“Ele estava muito, muito sujo. Dava para ver que ele tinha ficado sozinho no deserto, porque vivemos em área de deserto com cactos e animais selvagens”.
“Os agentes do ICE atraíram a família para fora de casa, detiveram todos do lado de fora e então soltaram o cachorro para que ele saísse”, afirmou Jaime.
A norte-americana conta que chorou muito ao perceber que o cachorro estava esperando pela família: “E a família não iria voltar”
Jaime então levou o cachorro para um abrigo. Os veterinários descobriram que ele estava com uma infecção respiratória e operaram Eclipse. Depois de recuperado, ele foi adotado por Jaime. “Eu simplesmente senti uma conexão”, lembra ela.
Um cachorro latino
Além do novo lar, o cãozinho ganhou um novo nome, cheio de significado. “Um eclipse da lua é quando ela fica totalmente no escuro, mas a luz ainda existe. Eu queria que esse fosse o nosso lema: mesmo num momento sombrio em que não podemos ver a luz, ela ainda está lá, e vamos esperar até que ela retorne”, explica Jaime.
Mas o Eclipse demorou para se acostumar à casa nova. Ele evitava outros cães, vivia se escondendo e tinha medo até de brincar. “Dava para perceber que ele estava muito derrotado. Ele não olhava ninguém nos olhos. Ele estava muito lento. Estava doente”, lembra a nova tutora.
Uma descoberta, no entanto, fez toda a diferença para o Eclipse.
Cadê os donos?
Jaime se perguntou onde estavam os donos do cão e notou que ele estava mancando. Conversando com os vizinhos, ela descobriu que a família era do México: todos foram detidos por agentes de imigração para serem deportados.
“Ele não conhecia nenhum comando. E eu pensei: que estranho, porque ele é superinteligente. Então pensei: talvez em vez de dizer “senta”, eu diga: “sientate”. Aí ele sentou. Eu pensei: ah, você é um cachorro que fala espanhol”
Eclipse passou a vida sendo cuidado por uma família mexicana. E o marido de Jaime também é mexicano, então a família sabia os comandos e também um assovio tradicional. (Veja no vídeo acima)
“Na primeira vez que meu marido assoviou, o Eclipse se animou, veio correndo e eu pensei: isso é algo que ele gosta. Provavelmente era assim que a família o chamava para dentro.”
Hoje, Eclipse já começou a se sentir em casa e socializa com outros cachorros. “Eu conversava com ele em espanhol e em inglês, ele aprendeu os dois idiomas, e acho que ele está muito mais conectado comigo agora porque dediquei um tempo para ajudá-lo a se curar”, conclui Jaime.
Ela afirma também que devolveria Eclipse para a família mexicana, caso eles consigam retornar: “O cachorro é deles. E eu sei que ele também gostaria de ter a família de volta. Nós somos como uma segunda família para ele”.
Contexto: Segundo um levantamento publicado neste mês pela TV americana CBS, dos quase 400 mil imigrantes deportados desde que Donald Trump voltou à Casa Branca, menos de 14% tinham acusações ou condenações por crimes violentos.

