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Belo comemora 25 anos de carreira em cruzeiro com muita pegação, ex-BBBs e pagode 24 horas por dia

É fim de tarde, o sol que prateava o mar vai dando lugar a um céu nublado, carregado, e o comandante do navio ancorado em Angra dos Reis, Costa Verde do Rio, tem de tomar uma decisão. Em pouco tempo será preciso se deslocar para desviar da chuva. Galante num terno verde-oliva de mangas três-quartos, Belo vai subir no palco montado no convés principal para o show que marca seus 25 anos de carreira solo. Está em curso naquela embarcação o cruzeiro Belo em Alto-Mar, com line-up digno de festival, uma viagem para celebrar o mais romântico dos crooners de pagode que fizeram história nos anos 1990.

O navio é o Preziosa, da companhia italiana MSC. Foi fretado pela Promoação, empresa brasileira que é precursora neste tipo de cruzeiro temático musical. O MSC Preziosa saiu do Porto de Santos, no litoral paulista, no último sábado, rumo a Búzios, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, onde ancorou na manhã de domingo. De lá, partiu para Angra à noite, chegando na segunda-feira de manhã. Ontem, retornou para o desembarque em Santos. Ao longo dos três dias em alto-mar, o público acomodado nas mais de 1.700 cabines pôde curtir shows completos de Alcione, Péricles, Xande de Pilares, Pixote, Jeito Moleque, Turma do Pagode, Filipe Ret e Rodriguinho, entre outros artistas, além, é claro, de duas apresentações do grande anfitrião. A última, pomposa, feita no mar de Angra, vai virar um projeto audiovisual.

Este é o segundo Belo em Alto-Mar. O primeiro foi no ano passado, e ambos os cruzeiros tiveram sucesso de vendas, segundo a empresa que o promove. Dentro do navio, depois de se apresentar na segunda-feira, o cantor diz ao GLOBO que ter seu próprio navio era um “sonho distante de um cantor periférico”. Conta que se inspirou em Roberto Carlos, que desde 2005 fez várias edições do “Emoções em alto-mar”.

— Claro que me inspiro nele. Eu, como cantor romântico, me espelho no Roberto Carlos, um artista extremamente popular, que fala com todas as camadas. Não me distancio disso. Mesmo sendo do samba, sou romântico — diz Belo. — Queria fazer alguma coisa para dar de presente para o meu público, algo que ficasse marcado na História. Decidi fazer o DVD dos meus 25 anos, um apanhado de cada um dos meus 16 discos. Sou muito grato ao meu público, eles são meu combustível, luz pra minha caminhada. E sei do esforço que fazem, não é uma parada barata. Não é um tíquete médio de uma festa. Não tem só esforço financeiro, mas esforço físico também.

Belo no cruzeiro em que comemorou 25 anos de carreira — Foto: Divulgação/Vitor Batista
Belo no cruzeiro em que comemorou 25 anos de carreira — Foto: Divulgação/Vitor Batista

Louis Vuitton e champanhe

 

Belo chegou ao Preziosa no início da tarde de sábado. Escoltado por uma viatura da Guarda Costeira de Santos, desceu de uma van vestindo paletó off white, lenço no pescoço, tênis da grife Louis Vuitton. Cumprimentou o comandante italiano do navio, estourou champanhe, tirou fotos com funcionários do porto, incluindo os policiais, e embarcou, simpático, acenando para todo mundo. Foi recebido no hall principal do navio por uma multidão de fãs que o aguardavam aos berros. Cantou umas quatro músicas, acompanhado de seu violonista, e seguiu para sua cabine.

O clima no navio foi de farra total. O perfil do público é jovem, de anseios etílicos, a faixa etária aproximada entre 25 e 50 anos. Poucas crianças. Tocou pagode o tempo todo, nos espaços de convivência, restaurantes, e até nos corredores das cabines. Uma atriz global foi com os pais e o filho pequeno. Um grupo de ex-participantes de reality shows estava animado: Cesar Black, Natália Deodato, as irmãs Camilla e Thamiris e Aline Patriarca, todos ex-Big Brother Brasil, e Josiane Pinheiro, ex-A Fazenda, passavam o dia na banheira de hidromassagem, em ritmo de festa, e à noite se esbaldavam nos shows. Lumena, aliás, se acertou com um rapaz no domingo, com quem foi vista na segunda de manhã em clima de pleno romance.

Pegação em alto-mar

Também ex-BBB, Giovanna Jacobina, irmã de Gracyanne Barbosa, foi com amigos para o cruzeiro e tirou foto com Belo após o show: “Te amo muito”, escreveu nas redes sociais sobre o ex-cunhado.

— Aqui acontecem coisas que não acontecem em outros eventos comuns. A pegação, por exemplo. Cada um tem sua cabine, facilita muito. Você tem três dias para ganhar a pessoa. São coisas muito peculiares de um navio — diz Edu Cristófaro, CEO da Promoação. — Você não vê o show e vai embora. As pessoas convivem. Você pode ver um show, depois pode ir para o quarto descansar. Pode beber à vontade que não tem que pegar carro para voltar pra casa.

Paulistano de 54 anos, Cristófaro fez fortuna vendendo automóveis nos anos 1990. Guitarrista e eterno “último aluno da classe”, como se define, chegou a tentar carreira na música, mas desanimou depois de ter um disco engavetado por uma grande gravadora, no final daquela década. Virou diretor da rádio Metropolitana, de São Paulo, pela qual começou a fazer eventos. Na virada dos anos 2000, decidiu inovar.

— Queria um lugar diferente para fazer festa. Procurei metrô, fábrica abandonada. Me deu um estalo e falei para a minha secretária ver se tinha algum navio vindo para o Brasil. Achamos um em 2002, fui lá na empresa e disse que queria fretar um para fazer evento. Disseram que eu era louco. Inventei o conceito de mini-cruzeiro. Não se fazia cruzeiro de três, quatro dias. Fretei um navio em 2002 e fiz a primeira temporada só com DJs. Vendemos tudo. Nosso primeiro cruzeiro com artista popular como tema foi em 2016, com Wesley Safadão. Foi um sucesso, não paramos mais. Roberto Carlos começou em 2005, mas fazendo shows no teatro do navio. Eu faço os meus na piscina, a céu aberto.

Desde novembro, a Promoação já fez cruzeiros temáticos com Chitãozinho e Xororó, Navio Cabaré, Sorriso Maroto, Barretos (com artistas sertanejos), Gilberto Gil, Alexandre Pires e Gusttavo Lima, além do Belo em Alto-Mar. Os próximos serão de Roupa Nova, Ana Castela, Jorge e Mateus, Zezé de Camargo e Wesley Safadão. A cabine mais simples, comportando duas pessoas, gira em torno de R$ 10 mil.

Show de Belo no cruzeiro 'Belo em alto-mar' — Foto: Divulgação/Vitor Batista
Show de Belo no cruzeiro ‘Belo em alto-mar’ — Foto: Divulgação/Vitor Batista

‘O artista precisa ser um Mickey’

Foi a reinvenção de um modelo que estava estigmatizado nos Estados Unidos e na Europa, onde, diz Edu Cristófaro, artistas que cantavam em navios eram vistos com maus olhos, como se estivessem em declínio. Aqui, diz ele, tem sido diferente.

— Em eventos comuns, o artista faz o show, sai do palco e desaparece. Aqui o público e o artista estão literalmente no mesmo barco. Tem chance de você estar no restaurante e o cara passar, estar lá comendo — conta o empresário. — O artista precisa ser um Mickey. Mas não são todos os artistas que vivem o navio. Alexandre Pires, por exemplo, é um fenômeno, você tem que amarrar ele, porque ele vive mesmo, pula na piscina com os fãs. Belo também dá uma passeada, é acessível. Safadão também se movimenta. Gusttavo Lima também foi muito presente, mas falei para ele que seria muito estranho no último dia ele sair do navio para fazer show em outro lugar. Não posso me dedicar por eles nesse sentido. Não sou o artista. É o nome do cara que está no navio. É o Mickey na Disney. Não adianta vir o Pateta, o Pluto. A galera quer ver o Mickey. Tem artista que ajuda muito, Daniel, Bell Marques. Xororó faz o show e vai para a cabine guardar a voz. O Chitão vai para o camarote beber. É o perfil de cada um.

O empresário costuma subir no palco antes dos shows para falar com o público.

Fantasia inusitada

Na noite de festa à fantasia, promoveu um concurso em que o vencedor foi um rapaz fantasiado de pênis. “A rola ganhou”, disse Cristófaro no microfone, premiando o rapaz com um ingresso para outro cruzeiro. No show da gravação do DVD de Belo, na segunda-feira, foi ele quem solicitou ao comandante para que o navio andasse, a fim de fugir da chuva.

— Estou em todos navios. Moro aqui. Como fretamos, escolho o comandante que quero. A gente vai experimentando. Tem uns que começam a já não se preocupar tanto com as coisas. Ligo para a sede e peço para trocar. Primeiro papo com o comandante é esse: não tenho pressa para chegar em Búzios. O importante é o tempo bom. Se tiver que ficar dando volta em Santos, que fique, o importante é o tempo bom. Fico sempre de olho no tempo.

Para o anfitrião, o saldo da segunda edição do Belo em Alto-Mar é positivo. Foi para “coroar um ano maravilhoso”, diz o cantor ao GLOBO, prometendo que 2026 vai ser melhor. Ele comenta, ainda, sua ascensão como ator. Belo vem cativando o público na pele do simpático Misael, da novela “Três Graças”, da TV Globo.

— Estou vivendo um grande momento. Misael entrou para fazer cinco capítulos e está grandioso. Na festa à fantasia aqui do navio tinha uns quatro vestidos de Misael. No carnaval vai ser uma loucura. Um personagem muito popular. Meu pai era um Misael. Meu tio era um Misael. Aquele cara que ajuda, encanador, pedreiro. Quando cheguei na novela, encontrei ídolos. Marcos Palmeira, por exemplo, me falou: “Belo, estou aqui pra te ajudar, o que você precisa?” Um ator sensacional, generoso. Então vou aprendendo muito com nomes como Arlete Salles, Grazi Massafera, Dira Paes. Assistia a essa galera na televisão e agora estou com eles. A vida te dá desafios que você tem que estar preparado. Se não está preparado, se prepara. Eu tenho abraçado isso como um cobertor no frio que vai me aquecer e tem me aquecido.

Da mesma safra de grupos paulistanos que explodiram na década de 1990, ex-Exaltasamba, o cantor Péricles diz ao GLOBO que comemora de perto cada conquista do amigo Belo.

— Tenho as melhores memórias do Belo. Uma coisa que ele carrega desde aquela época é esse brilho que tem e essa vontade de vencer. Esse é o Belo, um cara com quem eu nunca me decepcionei, que eu acompanho desde antes do Soweto. Vejo ele vencendo desde lá e fico muito feliz de poder comemorar mais essa vitória dele — afirma o cantor.

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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