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Autonomia, confiança e desempenho: realizar tarefas domésticas na infância traz benefícios reais, dizem estudos

Crianças que participam ativamente de tarefas domésticas simples desde cedo tendem a ser bem-sucedidas no futuro. Além de atividades extracurriculares caras ou escolas de elite, as responsabilidades domésticas são um dos “segredos” para o sucesso na vida adulta, segundo estudos científicos de longo prazo.

Pesquisas indicam que lavar a louça, arrumar o próprio quarto ou ajudar a preparar o jantar são ações que moldam competências fundamentais, como a autoconfiança e a capacidade de planejamento.

Os resultados observados mostram que, com o aprendizado contínuo das crianças, o ambiente doméstico serve como um laboratório essencial para a vida adulta.

Com isso, ao participar da rotina da casa, a criança deixa de ser apenas uma “consumidora” de serviços dos pais e passa a entender seu papel como um membro contribuinte de uma comunidade. Esse engajamento precoce cria uma base sólida para a satisfação com a vida e o sucesso acadêmico.

Para Andreia Convento, neuropsicóloga especialista em Análise do Comportamento Aplicada (ABA), com experiência no acompanhamento de desenvolvimento infantil, outro benefício importante é o desenvolvimento de habilidades executivas, como planejamento, atenção e organização.

Do ponto de vista da Terapia Cognitivo-Comportamental, essas experiências ajudam a desenvolver autoeficácia, ou seja, a percepção de que ela é capaz de realizar tarefas e contribuir com o ambiente. Isso fortalece a autoestima e a sensação de pertencimento dentro da família.
— Andreia Convento, neuropsicóloga.

Abaixo, entenda melhor como a ciência concluiu que o trabalho doméstico é, na verdade, um dos melhores investimentos educativos que os pais podem oferecer aos seus filhos.

Autonomia e sucesso escolar desde o jardim de infância

Um estudo abrangente publicado no “Journal of Developmental and Behavioral Pediatrics” acompanhou quase 10 mil crianças que entraram no jardim de infância nos Estados Unidos entre 2010 e 2011. Os pesquisadores analisaram a frequência com que essas crianças realizavam tarefas domésticas nessa fase inicial e, três anos depois, quando estavam na terceira série, avaliaram seu desempenho e percepção pessoal.

Os resultados foram claros: as crianças que realizavam tarefas domésticas com frequência no jardim de infância apresentavam maior auto competência, melhores comportamentos pró sociais e maior satisfação com a vida quando chegavam à terceira série.

 

Além do bem-estar emocional, a pesquisa identificou um impacto direto no aprendizado: realizar tarefas em casa foi associado a melhores notas em matemática.

O estudo também revelou o outro lado da moeda: crianças que raramente participavam das tarefas domésticas tinham mais chances de ficar no grupo de menor pontuação em termos de habilidade acadêmica, relacionamento com colegas e satisfação geral. Importante ressaltar que esses benefícios foram observados independentemente do sexo da criança, da renda familiar ou do nível de escolaridade dos pais, provando que a responsabilidade doméstica é uma ferramenta democrática de desenvolvimento.

Esses achados indicam que a construção da confiança das crianças não vem apenas de elogios, mas da sensação real de competência que surge ao realizar algo útil para si e para os outros. Ao dominar pequenas tarefas, o aluno transfere essa segurança para a sala de aula, sentindo-se mais capaz de enfrentar desafios lógicos e sociais.

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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