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Ataque ao Irã: entenda o que aconteceu e o que pode vir agora

Após semanas de tensão diplomática e ameaças públicas, Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva militar contra o Irã, alegando risco iminente ligado ao programa nuclear iraniano.

A escalada abriu um novo capítulo de instabilidade no Oriente Médio, com ataques em várias cidades, retaliações imediatas e mortes no alto escalão do regime de Teerã, incluindo o Líder Supremo.

Abaixo, a Folha Regional explica o que motivou a ação, como ela se desenrolou e quais podem ser os próximos passos do conflito.

Por que EUA e Israel decidiram atacar o Irã?

  • Alegação de bomba atômica: Estados Unidos e Israel dizem que o objetivo principal é destruir o programa nuclear iraniano. Os dois países alegam que o Irã usa o enriquecimento de urânio com a intenção de fabricar armas nucleares, o que o regime nega.
  • Falha nas negociações: Desde o ano passado, EUA pressionam o Irã por um acordo nuclear. O ataque ocorreu após semanas de conversas entre dois países, mas que não trouxeram avanço nas negociações.

 

Quando foi o primeiro ataque e o que aconteceu?

O início da ofensiva ocorreu na madrugada de sábado (28), com ataques por via marítima e aérea.

  • Cidades atingidas: Explosões foram registradas na capital, Teerã, e em Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah.

 

Em retaliação, o Irã respondeu lançando mísseis contra Israel e atacando bases militares dos EUA no Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Emirados Árabes.

O número de mortos no Irã já passa de 550.

Líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto em ataque — Foto: Gabinete do líder supremo do Irã/Wana Handout via REUTERS
Líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto em ataque — Foto: Gabinete do líder supremo do Irã/Wana Handout via REUTERS

 

Quais foram as principais baixas no topo da hierarquia de poder iraniana?

  • Líder Supremo: A morte do aiatolá Ali Khamenei foi confirmada; ele foi atingido em seu escritório.
  • Chefes militares: Morreram o ministro da Defesa (Amir Nasirzadeh), o chefe do Estado-Maior (Abdolrahim Mousavi) e o comandante da Guarda Revolucionária (Mohammad Pakpour).
  • Ex-presidente: O governo iraniano também relatou a morte de Mahmoud Ahmadinejad.

 

O que acontece com o regime do Irã?

  • O país é governado por leis religiosas, nas quais o Líder Supremo (aiatolá) tem mais poder que o presidente.
  • O aiatolá Alireza Arafi assumiu o posto provisoriamente.
  • Arafi agora comanda um conselho para escolher um novo líder permanente o mais rápido possível.

Até quando os ataques devem durar?

  • Trump afirmou que as operações militares são “massivas e contínuas” e seguirão nos “próximos dias”. Ao jornal britânico Daily Mail, ele teria dito que a ação levaria quatro semanas.
  • Nesta segunda (2), Israel atacou Beirute, capital do Líbano, após disparos do Hezbollah contra seu território.

 

Há propostas de negociações após os ataques?

  • Trump declarou que a nova liderança iraniana quer conversar e que ele “concordou em dialogar”, sem definir uma data.
  • No entanto, o secretário de Segurança do Irã desmentiu o presidente americano, afirmando que o país não negociará com os EUA e que a prioridade agora é defender a pátria.

 

Existe risco de uma escalada nuclear global?

O mundo tem hoje nove países com armas de destruição em massa, nove potências nucleares, incluindo as duas que atacaram o Irã neste sábado: Estados Unidos e Israel.

O principal aliado internacional do Irã é a Rússia, que também é uma potência nuclear. Os russos, no entanto, travam uma guerra contra a Ucrânia e não têm condições de dar um apoio ativo ao Irã.

Já a China, que também tem ogivas, já deu sinais de que não vai se envolver no conflito. Os demais aliados do Irã são grupos como Hezbollah, Hamas, Huthis – que não possuem armas nucleares.

Especialistas, no entanto, classificam o momento como um “cenário sombrio”. Isso porque o fim de tratados internacionais e a expansão de arsenais, somados ao ataque direto a instalações nucleares, reacenderam o debate sobre o risco de uma escalada atômica no mundo.

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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