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Ascensão de Mojtaba Khamenei representa o alinhamento profundo com as facções mais radicais do Irã

Mais do que um sinal de continuidade, a escolha de Mojtaba Khamenei para suceder o pai como o terceiro líder supremo do Irã indica o desafio do regime ao Ocidente e deve agravar o rumo do conflito, quando o país é severamente atacado por EUA e Israel e revida contra alvos nos países vizinhos.

➡️ O nome e a reputação de Mojtaba estão intimamente ligados ao aparato de segurança da República Islâmica, especificamente à Guarda Revolucionária e às milícias Basij. E mais: ele é coroado justamente após perder o pai, a mãe, a esposa, a irmã e outros parentes no bombardeio coordenado há dez dias por Donald Trump e Benjamin Netanyahu.

Sua ascensão, portanto, é sinônimo de resistência e intransigência e não de rendição ou concessão, conforme vem conclamando o presidente norte-americano ao regime a fazer para encerrar a guerra. Representa o alinhamento profundo com as facções mais radicais do regime e a manutenção de sua linha ideológica: repressão interna e expansão da influência regional.

Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei e candidato a novo líder supremo do Irã. Foto de 2019. — Foto: AP Photo/Vahid Salemi/File

Há pelo menos uma década, o nome de Mojtaba Khamenei constava em todas as listas dos mais cotados para suceder o líder supremo, mas passou a ser o favorito após a morte do pai, reforçando a conduta de confronto.

“O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã”, declarou Trump ao portal de notícias Axios, reivindicando para si um papel na escolha do líder supremo. Israel também associou a nomeação a “um alvo inequívoco para a eliminação”, conforme expressou o ministro da Defesa, Israel Katz.

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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