Após desclassificação nas Olimpíadas de Inverno, atleta ucraniano recebe doação de US$ 200 mil
O valor é equivalente ao prêmio em dinheiro que a Ucrânia paga a atletas que conquistam medalha de ouro em Jogos Olímpicos.
O atleta ucraniano Vladyslav Heraskevych transformou uma desclassificação olímpica em um símbolo de resistência nacional. Nesta terça-feira (17), ele recebeu uma doação superior a US$ 200 mil do empresário Rinat Akhmetov, presidente do Shakhtar Donetsk.
O valor equivale ao prêmio pago pela Ucrânia a atletas que conquistam medalha de ouro nos Jogos Olímpicos — um reconhecimento simbólico após o competidor ser impedido de disputar a prova de skeleton nos Jogos de Inverno de Milano-Cortina.
Heraskevych, de 27 anos, foi desclassificado antes de entrar na pista por utilizar um capacete com imagens de atletas ucranianos mortos na guerra contra a Rússia.
A modalidade skeleton exige que o competidor desça a pista de gelo de bruços sobre um trenó, com uso obrigatório de capacete — o que tornou o acessório um elemento central na controvérsia.
A decisão partiu da International Bobsleigh and Skeleton Federation, que considerou a arte no capacete uma manifestação política proibida durante a competição.

Recurso negado horas antes da prova
O atleta recorreu à Corte Arbitral do Esporte, mas teve o pedido negado poucas horas antes das descidas decisivas.
Curiosamente, Heraskevych havia treinado por vários dias com o mesmo capacete no centro de gelo de Cortina d’Ampezzo sem impedimentos prévios.
Na véspera da competição, o Comitê Olímpico Internacional o advertiu oficialmente. O COI sugeriu alternativas, como o uso de uma braçadeira preta e a exibição do capacete fora da área de competição, reforçando que manifestações políticas são vetadas durante as provas.
“Retorna como vencedor”, diz empresário
A doação foi anunciada em comunicado do Shakhtar Donetsk. No texto, Rinat Akhmetov afirmou que, embora impedido de competir, Heraskevych retorna à Ucrânia como um “verdadeiro vencedor”.
O gesto foi interpretado como reconhecimento ao posicionamento do atleta em memória das vítimas do conflito.
O episódio também repercutiu na esfera política. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, manifestou apoio público ao atleta.
A situação reacende o debate sobre os limites entre expressão pessoal, manifestações políticas e as regras que regem competições olímpicas.
Esporte, guerra e liberdade de expressão
O caso de Vladyslav Heraskevych ultrapassa o universo esportivo. Ele expõe o dilema vivido por atletas que representam países em conflito e enfrentam restrições impostas por regulamentos internacionais.
Sem competir, mas amplamente apoiado, o atleta deixa Milano-Cortina no centro de uma discussão global sobre memória, política e os limites da neutralidade esportiva.
A reportagem continuará acompanhando os desdobramentos e possíveis impactos nas regras de manifestação em competições internacionais.

