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Após bariátrica, jovem tem quadro raro, passa meses na UTI e reverte cirurgia que causou desnutrição

Quando decidiu fazer a cirurgia bariátrica, em maio de 2021, a fotógrafa Uli Suellen, então com 30 anos, acreditava estar se prevenindo de um risco maior. Pesava 115 quilos e havia procurado um gastroenterologista por causa de refluxo. Segundo relata, ouviu que, se não operasse, poderia morrer.

Dez meses depois, estava internada pela nona vez em uma UTI, com desnutrição severa, deficiência grave de potássio e risco de arritmia cardíaca. Ao longo desse período, perdeu 75 quilos, desenvolveu infecção renal, úlcera, anemia, perdeu parte da visão e chegou a pesar 32 quilos. Em 2022, precisou reverter a cirurgia para sobreviver.

Suellen viveu um drama pouco comum: as estatísticas mostram índices baixos de complicações severas por causa do procedimento, em torno de 0,5%, com mortalidade aproximada de 0,1%.

Em dois meses, menos 30 kg

Uli Suellen, 34, teve complicações graves relacionadas à cirurgia bariátrica. — Foto: Arquivo Pessoal

O problema começou ainda no pós-operatório imediato. Uli conta que voltou da cirurgia com complicações respiratórias e dificuldade para engolir. No hospital, ouviu que a adaptação seria gradual. Recebeu alta.

Em casa, a situação piorou. Não conseguia ingerir água, nem mesmo saliva. A fraqueza aumentava rapidamente. Em dois meses, havia perdido 30 quilos.

Uma nutricionista que a avaliou em domicílio orientou internação imediata. No hospital, foi levada à UTI com desidratação severa e potássio muito baixo.

Denis Pajecki, coordenador do Departamento de Cirurgia Bariátrica da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), afirma que a incapacidade de ingerir líquidos de forma adequada e contínua é um dos principais sinais de alerta no pós-operatório.

Nesses casos, a conduta recomendada é internação, correção dos distúrbios hidroeletrolíticos, reposição de vitaminas e investigação ativa para identificar a causa.

Ele ressalta que o acompanhamento não se encerra na alta hospitalar. A assistência no pós-operatório imediato é responsabilidade direta da equipe cirúrgica e deve incluir vigilância clínica sistemática.

Dez meses entre hospital e incertezas

Durante dez meses, Uli passou mais tempo no hospital do que em casa. Desenvolveu infecção renal por não conseguir ingerir água, precisou de transfusões de sangue, utilizou nutrição parenteral —alimentação pela veia— e sonda. Em uma das internações, após episódios de tentativa frustrada de alimentação, sofreu uma torção intestinal e precisou de nova cirurgia de urgência.

O corpo entrou em colapso progressivo. Ela perdeu parte da visão do olho direito, não conseguia ficar em pé, não tinha força para ir ao banheiro sozinha. O cabelo caiu. A pele doía ao toque.

Em meio às investigações, foram levantadas hipóteses de doenças autoimunes e síndromes genéticas. Em determinado momento, seu prontuário registrou anorexia como suspeita diagnóstica. Uli afirma que ouviu de médicos que poderia estar forçando a não comer. Parte da família passou a duvidar de seu relato. Apenas o marido permaneceu ao seu lado.

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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