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Cadela ‘adotada’ por Orelha, cão comunitário morto após agressões, é internada em Florianópolis

O cão comunitário Orelha, morto após ser agredido na Praia Brava, em Florianópolis, mantinha algumas amizades caninas na região. Uma das mais próximas era com a vira-lata Pretinha, que se tornou sua “protegida” após a morte da mãe dela, segundo a veterinária Fernanda Oliveira, que fazia atendimentos no bairro.

A cadela está internada desde o início da semana devido a um quadro de insuficiência renal crônica e alteração sanguínea compatível com a “doença do carrapato”.

“Atualmente, ela se encontra estável, dentro dos parâmetros esperados para esse tipo de alteração. Estamos esperançosos, mas com os pés no chão”, explicou (confira sobre a condição mais abaixo).

A veterinária conta que essa relação é antiga. A mãe de Pretinha, a ‘Preta mãe’, foi quem trouxe Orelha para a Praia Brava. Ela sempre tinha um cachorrinho macho ao lado dela, sem interesse em procriar. Após a morte do seu antigo companheiro, foi Orelha quem ocupou esse espaço, tornando-se tão próximo quanto o anterior.

“Esse amigo dela acabou falecendo. Então, ela saiu e apareceu com o Orelha. Quando a ‘Preta mãe’ faleceu, o Orelha assumiu como chefe de matilha e passou a ‘cuidar’ da Preta [irmã da Pretinha] e da Pretinha”, comentou.

 

Há dois anos, Preta faleceu, ficando apenas Orelha e Pretinha. Após a morte do amigo, neste mês, ela foi levada a um lar temporário. Desde segunda-feira (26), no entanto, está hospitalizada.

O que aconteceu com Pretinha?

Segundo Fernanda, a cuidadora responsável pelo lar temporário sempre dava suporte a Pretinha e Orelha juntos. Após a morte dele, Pretinha foi levada para casa dela, momento em que foi observada uma incontinência urinária. As investigações clínicas começaram imediatamente.

Os exames iniciais, de acordo com a veterinária, apontaram uma alteração compatível com hemoparasitose — grupo de doenças causadas por protozoários ou bactérias que vivem no sangue, popularmente chamada de “doença do carrapato”.

Agora, testes específicos serão feitos para identificar com precisão a origem do problema e definir o tratamento mais adequado.

“Atualmente, ela se encontra estável, dentro dos parâmetros esperados para esse tipo de alteração. Estamos esperançosos, mas com os pés no chão”, informou.

O que aconteceu com Orelha?

A Polícia Civil aponta que Orelha foi agredido no dia 4 de janeiro, na Praia Brava. Ele foi encontrado ferido e agonizando por pessoas que estavam no local, levado a uma clínica veterinária e, no dia 5 de janeiro, submetido à eutanásia devido à gravidade dos ferimentos.

Exames periciais indicaram que o cão foi atingido na cabeça com um objeto contundente, ou seja, sem ponta ou lâmina. O objeto usado na agressão não foi localizado.

Orelha era um dos cães que se tornaram mascotes da região da Praia Brava, em Florianópolis — Foto: Reprodução/Redes sociais
Orelha era um dos cães que se tornaram mascotes da região da Praia Brava, em Florianópolis — Foto: Reprodução/Redes sociais

Quem são os suspeitos pela agressão?

Quatro adolescentes foram identificados como suspeitos de cometer o crime de maus-tratos contra o cão. Os nomes e idades não foram divulgados, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Dois deles estão em Florianópolis e foram alvos de uma operação policial na segunda-feira (26). Os outros dois estão nos Estados Unidos, em uma viagem pré-programada.

Por que três adultos foram indiciados?

Três adultos, dois pais e um tio dos adolescentes, foram indiciados suspeitos de coagir uma testemunha durante a investigação do caso.

Segundo a Polícia Civil, a vítima da coação foi o vigilante de um condomínio, que teria uma foto que poderia ajudar a esclarecer o crime. Por segurança, ele foi afastado do trabalho.

Coação é o crime de ameaçar ou constranger pessoas envolvidas em um processo judicial, como testemunhas, vítimas ou réus, com o objetivo de interferir no andamento da investigação ou no resultado do processo.

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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