Como funcionam tecnologias que extraem dados de celulares e que a PF tem usado no Brasil
Polícia Federal consegue acessar dados de celulares mesmo com aparelhos desligados e tem técnica para evitar que informações sejam apagadas remotamente.
A Polícia Federal tem equipamentos que acessam dados de celulares mesmo sem a senha e com os aparelhos desligados. E usa técnicas para evitar que as informações sejam apagadas remotamente. A informação foi divulgada na última sexta-feira (16) pelo blog da Julia Duailibi.
Mas como funcionam essas ferramentas?
Programas como o israelense Cellebrite e o americano Greykey, ambos de uso restrito, conseguem acessar dados como arquivos e mensagens em dispositivos com os sistemas operacionais iOS (iPhone) e Android até mesmo quando eles estão bloqueados.
O primeiro passo para a investigação é preservar o dispositivo em um recipiente que funcione como uma Gaiola de Faraday, um conceito da física usado para tratar de espaços em que não há entrada nem saída de ondas eletromagnéticas.
Esse recipiente, que pode ser uma bolsa ou uma caixa, por exemplo, tem no interior um revestimento metálico que bloqueia sinais externos, como o de internet. O objetivo é evitar que o dono do aparelho consiga apagar dados remotamente.
“O equipamento fica ligado, mas não consegue se comunicar com o Wi-Fi, com a antena da rede de celular. Não há contato com o mundo exterior, o que é o ideal”, explicou Wanderson Castilho, perito em segurança digital.
Segundo Castilho, a técnica usada para extrair os dados varia de acordo com a condição do dispositivo:
- se estiver com a tela bloqueada, é possível usar programas como Greykey e Cellebrite, que tentam descobrir a senha de bloqueio e baixar informações ao se conectarem com o aparelho por um cabo USB;
- se estiver desligado ou danificado, pode-se adotar a técnica conhecida como chip off, em que componentes como o chip de memória são desmontados do aparelho e as informações contidas nele são transferidas para outro dispositivo.
A licença de programas como Greykey e Cellebrite pode custar cerca de US$ 50 mil por ano (R$ 270 mil), revelou Castilho.


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