‘Vivia entorpecido por açúcar’: o processo de emagrecimento do influenciador Julio Mamute após chegar aos 300 kg
Ao perder cerca de 100 kg, Mamute concluiu a Corrida de São Silvestre; ele soma 3 milhões de seguidores e relata a rotina de emagrecimento sem cirurgia.
Julio Mamute, de 35 anos, não se tornou conhecido nas redes sociais por falar de corrida. Quando começou a publicar vídeos, em janeiro de 2025, a ideia era registrar um processo de emagrecimento que ele mesmo não sabia se daria certo. O perfil cresceu rápido. Vieram os seguidores, as visualizações, os comentários. Mas, fora da tela, o corpo continuava impondo limites.
Poucos anos antes, Julio ultrapassara os 300 quilos. Hoje, pesa 200. A meta, ele conta ao g1, não é chegar a um peso mínimo para fazer cirurgia.
“Não quero fazer bariátrica, quero mudar meus hábitos. Sei que, se eu não tratar a compulsão alimentar, não vai adiantar nada”, diz.
O ganho de peso e a compulsão
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Julio começou a engordar ainda na adolescência, por volta dos 12 anos. Não associa a obesidade à infância nem a traumas específicos. “Não fui uma criança obesa. Meus pais não eram obesos. Não tem uma causa única para apontar”, diz.
O peso aumentou de forma progressiva ao longo da vida adulta, em meio a rotinas sem horário fixo, noites viradas trabalhando e alimentação desorganizada. Com o tempo, comer deixou de ser uma decisão consciente.
“A obesidade é um pântano. Você vai afundando devagar. Chega um momento em que não há mais escolha. O açúcar vira vício. Eu vivia entorpecido por açúcar, comia pelo vício, não por fome”, afirma.
Tudo o que já tinha tentado
Antes de iniciar uma perda de peso mais consistente, Julio passou por praticamente todas as estratégias disponíveis. Usou medicamentos para emagrecimento, como Ozempic, Saxenda e Mounjaro —alguns importados antes da liberação no Brasil.
“Eu engordei usando tudo isso”, afirma.
Em 2021, colocou um balão gástrico. Mesmo com o dispositivo e o uso simultâneo de semaglutida, engordou cerca de 40 quilos. O balão acabou se rompendo e precisou ser retirado às pressas.
“Quando a compulsão está muito instalada, não é fome. Dá para engordar com qualquer ferramenta”, diz.
Depois da retirada do balão, o peso voltou a subir. “Cada tentativa frustrada te afunda um pouco mais. É como areia movediça”, resume.
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Um começo possível
Julio sabia que não poderia iniciar caminhadas nem exercícios de impacto. Procurou algo que não machucasse o corpo. Tentou hidroginástica, até se fixar na natação.
“A piscina foi o primeiro lugar em que eu consegui me mexer sem dor”, afirma.
Ele atribui à natação a perda dos primeiros 90 a 100 quilos. O processo, no entanto, não foi contínuo. Em 2024, após a morte do pai, voltou a ganhar peso. “Eu me sabotei de novo”, admite.
Ainda assim, retomou. Cada número perdido na balança ele multiplica em alimentos doados.
Em janeiro de 2025, decidiu registrar o cotidiano nas redes sociais. O perfil cresceu rapidamente e passou a somar cerca de 3 milhões de seguidores. A exposição trouxe alcance, mas não eliminou o esforço diário.
“Internet não emagrece ninguém”, diz.
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A São Silvestre entra no radar
Depois de se mudar de Recife para São Paulo, a São Silvestre voltou ao campo das possibilidades.
“Eu nunca tinha corrido 15 quilômetros na vida”, conta. A ideia de participar da prova surgiu de um seguidor. “Nunca tinha passado na minha cabeça, até que começou a passar.”
A decisão não foi consenso. Julio ouviu de muita gente que não deveria tentar. O receio principal era o impacto sobre um corpo ainda muito pesado, com risco aumentado de sobrecarga articular, lesões nos pés e nos joelhos, além de eventos cardiovasculares. “Muita gente falou: ‘você está doido, não vai’”, conta.
Ele próprio tinha consciência dos limites. “Uma coisa é achar que dá certo, outra é sentir a pressão no corpo.” Antes de largar, fez exames cardiológicos e decidiu que só seguiria se fosse andando, com pausas frequentes e sem qualquer meta de tempo.
No quilômetro 7,5, pensou seriamente em desistir. A dor nos pés era intensa. O cansaço se acumulava. Ele deitou no asfalto e mandou mensagem para a irmã dizendo que talvez não conseguisse continuar.
“Na minha cabeça, ter feito metade do trajeto era suficiente. Já era uma conquista. Minha mente dizia ‘pare, ninguém se importa; já deu’”, relata.
Pouco depois, recebeu um vídeo do sobrinho incentivando que seguisse. Chorou. Trocou a meia. Levantou.
Até onde deu
A maior parte do percurso foi feita andando. Na subida da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, o esforço aumentou. Julio parava, bebia água, retomava.
Um ultramaratonista largou a própria prova e passou a caminhar com ele por um trecho. Pessoas que acompanhavam a transmissão ao vivo se aproximavam. “Umas 5 mil mãos bateram nas minhas costas, foi enlouquecedor”, ele relembra.
Nos metros finais, ao avistar a linha de chegada, conseguiu trotar por alguns segundos. Chegou depois de seis horas. O pórtico já estava sendo desmontado. “Não recebi medalha, mas não foi um problema. Foi uma experiência incrível”, diz.


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