Homem de 54 anos vira réu por estupro de vulnerável após menina de 9 anos pedir socorro com sinal de mão em Curitiba
Criança foi abordada enquanto seguia para a escola, no bairro Sítio Cercado. Primo de 10 anos reconheceu o gesto de emergência e correu para buscar ajuda. Suspeito já utilizava tornozeleira eletrônica por envolvimento anterior em crime da mesma natureza.
Um homem de 54 anos tornou-se réu pelo crime de estupro de vulnerável após abordar uma menina de apenas 9 anos que caminhava para a escola, em Curitiba, no Paraná. O caso aconteceu no início de outubro, no bairro Sítio Cercado, e ganhou repercussão depois que a criança utilizou um sinal silencioso de pedido de socorro, reconhecido pelo primo de 10 anos, que conseguiu mobilizar ajuda.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) foi aceita pela Justiça na sexta-feira (6 de novembro). O acusado, cuja identidade não foi divulgada, permanece preso preventivamente. Segundo as autoridades, ele já utilizava tornozeleira eletrônica desde 2017 em razão de outro caso de estupro de vulnerável.
Menina foi abordada no caminho para a escola
De acordo com as informações apuradas durante a investigação, a criança seguia pela rua acompanhada de outras crianças quando foi surpreendida pelo homem. Inicialmente, ele teria tentado se aproximar utilizando um veículo. Posteriormente, passou a abordá-la a pé.
O suspeito ofereceu R$ 50 para convencer a menina a acompanhá-lo. Diante da recusa, teria segurado a mão da vítima com força e começado a conduzi-la contra sua vontade.
Ainda conforme o Ministério Público, o homem teria realizado contatos físicos inadequados e dirigido à criança comentários de natureza sexual, além de expressões intimidatórias.
Assustada com a situação, a menina encontrou uma maneira discreta de demonstrar que precisava de ajuda, sem chamar diretamente a atenção do agressor.
Primo reconheceu pedido silencioso de socorro e buscou ajuda
Durante a abordagem, a criança fez um gesto conhecido internacionalmente como sinal de pedido de ajuda. O movimento consiste em posicionar o polegar sobre a palma da mão e, em seguida, fechar os demais dedos sobre ele, formando um punho.
O primo da vítima, de 10 anos, percebeu imediatamente o significado daquele movimento. Ao compreender que a menina estava em perigo, correu até um posto de combustíveis próximo e pediu auxílio aos funcionários.
Os trabalhadores acionaram a Guarda Municipal, permitindo a intervenção das autoridades.
A atitude do menino foi fundamental para que o episódio fosse identificado e a criança recebesse ajuda.
Família havia ensinado às crianças como reconhecer situações de perigo
Um detalhe importante dessa ocorrência é que os dois primos já conheciam o significado do gesto utilizado pela menina.
Em entrevista à RPC, as crianças explicaram que aprenderam sobre o sinal após assistirem a reportagens na televisão e receberem orientações da avó.
A familiar contou que costuma conversar com os netos sobre os riscos de abordagens feitas por desconhecidos, orientando-os a não aceitar dinheiro, presentes ou alimentos de estranhos e a procurar ajuda diante de situações suspeitas.
Ela também aproveitava as reportagens exibidas na televisão para explicar como o sinal de socorro poderia ser utilizado em momentos de perigo.
O menino afirmou que prestou atenção às orientações recebidas e guardou a informação. Esse conhecimento permitiu que reconhecesse rapidamente o pedido silencioso feito pela prima.
Ministério Público solicita indenização de pelo menos R$ 50 mil
Com o recebimento da denúncia pela Justiça, o homem passou formalmente à condição de réu e responderá à acusação de estupro de vulnerável.
Além da aplicação das penalidades previstas na legislação brasileira, o Ministério Público solicitou que o acusado seja condenado ao pagamento de uma indenização mínima de R$ 50 mil pelos danos morais provocados à menina e aos familiares.
A prisão preventiva permanece em vigor, enquanto o processo segue seu andamento judicial. O recebimento da denúncia não representa condenação definitiva, e o acusado tem direito à defesa.
Entenda como funciona o sinal silencioso de pedido de socorro
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Foto: RPC
O gesto utilizado pela criança é uma ferramenta de comunicação não verbal que pode ajudar pessoas em situações de ameaça, violência ou constrangimento, especialmente quando não conseguem pedir auxílio verbalmente.
Para realizar o sinal, a pessoa deve:
- Levantar uma das mãos, mantendo a palma visível.
- Dobrar o polegar em direção ao centro da palma.
- Fechar os outros quatro dedos sobre o polegar.
Quando alguém reconhece esse movimento, a orientação é procurar uma forma segura de oferecer assistência, evitando atitudes que possam aumentar o risco para a vítima.
Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190. Casos envolvendo crianças e adolescentes também podem ser comunicados ao Conselho Tutelar ou denunciados pelo Disque 100.
O episódio ocorrido em Curitiba reforça a importância de conversar com crianças sobre segurança pessoal e maneiras de pedir ajuda. O conhecimento compartilhado pela avó foi decisivo para que os primos identificassem a situação de perigo e buscassem proteção.
Fonte: G1

