Copiloto de avião que caiu na Flórida e matou nove pessoas era filha de brasileiros
Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, ficou conhecida nos Estados Unidos após conseguir sua licença de piloto aos 17 anos, antes mesmo de aprender a dirigir. A jovem pretendia seguir carreira na aviação comercial ou executiva.
Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, filha de brasileiros, estava entre as nove vítimas da queda de um avião particular ocorrida no domingo (1º), na Flórida, nos Estados Unidos. A jovem atuava como copiloto da aeronave, que caiu em uma região residencial do condado de Palm Beach. A informação sobre sua identidade foi confirmada ao g1 por Stéfany Corteletti, prima de Nathalia.
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Foto: Reprodução/Redes Sociais
O avião, modelo Learjet 60, havia partido de Austin, no Texas, e seguia em direção às Bahamas quando sofreu o acidente. Após atingir o solo, a aeronave explodiu, provocando a morte de todos os nove ocupantes. O número de vítimas foi confirmado pelo secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy.
Jovem conquistou licença de piloto antes de aprender a dirigir
A trajetória de Nathalia na aviação ganhou repercussão na imprensa norte-americana em 2023. Naquele ano, aos 17 anos, ela conseguiu a licença de piloto particular, mesmo sem possuir habilitação para conduzir automóveis.
Na ocasião, a brasileira cursava o último ano do ensino médio na West Boca Raton High School, na Flórida. Sua dedicação aos estudos aeronáuticos chamou a atenção da emissora CBS12 News, que produziu uma reportagem sobre sua história.
Enquanto muitos adolescentes aproveitavam o tempo livre para atividades esportivas e encontros com amigos, Nathalia concentrava seus esforços no aprendizado da pilotagem e na realização de voos.
Durante a entrevista, a estudante comentou, de maneira bem-humorada, sobre a diferença entre pilotar aeronaves e dirigir veículos. Ela dizia sentir orgulho por conseguir comandar aviões, embora ainda não soubesse conduzir um carro.
O contato com a aviação havia começado alguns anos antes. Em 2020, quando estava prestes a iniciar o segundo ano do ensino médio, Nathalia passou a estudar os fundamentos teóricos da pilotagem.
O interesse também recebeu influência familiar. Seu pai havia começado a pilotar como atividade recreativa em 2018 e costumava compartilhar com a filha os conhecimentos adquiridos sobre aeronaves e procedimentos de voo.
A preparação da jovem envolveu aulas em sala, treinamentos em simuladores, atividades práticas e avaliações técnicas. Depois de cumprir as etapas exigidas, ela recebeu sua licença de piloto particular em setembro de 2023.
Na época, Nathalia já somava 88 horas de experiência de voo. Com a certificação, estava autorizada a pilotar aviões particulares sem acompanhamento e transportar passageiros, desde que a atividade não tivesse finalidade remunerada.
Os custos de sua formação foram assumidos pelo distrito escolar de Palm Beach County, por meio de um programa de educação aeronáutica destinado a estudantes do ensino médio.
Em outra declaração à CBS12 News, Nathalia demonstrou entusiasmo por realizar uma atividade incomum entre pessoas de sua idade. Ela considerava curioso conseguir pilotar uma aeronave sem ainda ter aprendido a dirigir um automóvel.
A previsão era de que obtivesse sua carteira de motorista em novembro de 2023.
Sonho era construir carreira na aviação profissional
Desde o início de sua formação, Nathalia demonstrava interesse em transformar a paixão por aviões em profissão. Entre seus objetivos estavam trabalhar como piloto de uma companhia aérea comercial ou atuar no setor de aviação executiva, comandando jatos particulares.
Nas redes sociais, a jovem costumava publicar fotografias na cabine de aeronaves e compartilhar momentos importantes de sua evolução profissional.
Em março de 2026, uma de suas publicações mostrava uma conquista relacionada ao comando de um Learjet 60. Na imagem, Nathalia aparecia dentro da cabine segurando um documento e celebrava a realização com uma mensagem de agradecimento a Deus.
Outros registros divulgados em seus perfis mostravam a jovem nos controles de aeronaves durante voos, além de momentos de sua rotina na aviação.
Gravação revela situação de emergência antes do acidente
Os instantes que antecederam a queda foram registrados em uma comunicação de rádio entre a tripulação do Learjet 60 e os controladores de tráfego aéreo.
No áudio, uma mulher relata dificuldades relacionadas à formação de gelo e à turbulência enfrentada durante o percurso. Pouco tempo depois, a tripulante comunica uma emergência e alerta que a aeronave estava perdendo altitude rapidamente.
Em determinado momento, ela utiliza a expressão internacional de socorro “Mayday” e informa que o avião descia a uma velocidade vertical de aproximadamente 10 mil pés por minuto.
O termo Mayday é empregado na aviação para indicar situações de perigo extremo que exigem assistência imediata.
A gravação também registra a informação de que a aeronave apresentava velocidade excessiva e que a taxa de descida havia aumentado para cerca de 20 mil pés por minuto, equivalentes a aproximadamente seis quilômetros.
Com a situação se agravando, a mulher alerta para a possibilidade iminente de colisão com o solo. Em outro trecho, dirige-se a alguém identificado como Jack, pedindo que observe o exterior da aeronave e advertindo que o tempo estava acabando.
Até o momento, não foi confirmado se a voz feminina ouvida na comunicação pertence a Nathalia Filgueiras.
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Foto: Reprodução/Redes sociais
Aeronave explodiu após atingir região residencial
O Learjet 60 saiu de Austin, no Texas, às 9h36 do horário local, correspondente às 12h36 em Brasília. O destino previsto era o arquipélago das Bahamas.
Por volta das 12h50, horário local, equivalente às 16h50 em Brasília, o avião caiu em uma área residencial de Greenacres, no condado de Palm Beach, na Flórida.
A força da colisão provocou uma explosão, deixou uma cratera no pavimento e espalhou fragmentos da aeronave pelos arredores.
Todas as nove pessoas que viajavam no avião morreram.
Autoridades investigam as causas da queda
As circunstâncias do acidente são apuradas pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB), com a colaboração da Administração Federal de Aviação (FAA).
O NTSB programou uma entrevista coletiva para esta segunda-feira (2), às 15h, pelo horário de Brasília. O encontro deverá apresentar informações sobre os procedimentos adotados na investigação e as próximas atividades das equipes responsáveis pelos trabalhos no local da tragédia.
A presença de gelo e as condições de turbulência relatadas durante o voo estão entre os fatores que especialistas consideram relevantes para a análise do acidente.
Entretanto, ainda não existe uma conclusão oficial sobre o que provocou a queda do Learjet 60. Os investigadores deverão examinar os elementos disponíveis para esclarecer a sequência de acontecimentos que resultou na morte dos nove ocupantes.
Fonte: G1

