Homem mais alto do país recupera a capacidade de caminhar após receber próteses personalizadas
Com 2,37 metros de altura, Joelison Fernandes da Silva, conhecido como Ninão, teve as duas pernas amputadas devido a problemas de saúde. Após receber próteses desenvolvidas especialmente para suas características físicas, ele conseguiu voltar a dar os primeiros passos.
Joelison Fernandes da Silva, de 41 anos, conhecido nacionalmente como Ninão por ser o homem mais alto do Brasil, está vivendo uma nova fase de recuperação. Com 2,37 metros de altura, o paraibano voltou a caminhar depois de receber próteses produzidas especialmente para seu corpo. Ele havia perdido as duas pernas em decorrência de complicações de saúde e agora busca reconquistar sua independência.
A equipe do programa Fantástico, da TV Globo, acompanhou os primeiros movimentos de Ninão com os equipamentos personalizados, projetados para atender às necessidades de uma pessoa com suas dimensões e peso. O momento representa um avanço importante no tratamento de reabilitação.
Ao longo da vida, a altura excepcional exigiu diversas mudanças em sua rotina. A cama de sua residência, por exemplo, precisou passar por adaptações para acomodar suas pernas, enquanto os calçados sempre tiveram de ser confeccionados sob encomenda.
Crescimento acelerado e diagnóstico de gigantismo
Segundo Ninão, sua infância transcorreu normalmente até aproximadamente os 8 anos, quando começou a apresentar um crescimento muito acima do esperado. Sua mãe, Divanilda Fernandes da Silva, percebeu a diferença quando o menino ultrapassou a altura do irmão mais velho.
Aos 10 anos, Joelison já media 1,70 metro, alcançando a mesma estatura do pai. Quatro anos depois, chegou a 1,96 metro e recebeu o diagnóstico de gigantismo, condição caracterizada pela produção excessiva do hormônio responsável pelo crescimento.
Em grande parte dos casos, essa alteração hormonal está relacionada à presença de um tumor benigno, cujo tratamento pode exigir uma intervenção cirúrgica. Durante a adolescência, entretanto, Ninão ficou receoso de realizar a operação e optou por adiar o procedimento.
Quando completou 21 anos, sua altura já era de 2,29 metros. Posteriormente, decidiu passar pela cirurgia, mas ainda cresceu mais oito centímetros, alcançando os atuais 2,37 metros, estatura que o tornou conhecido como o homem mais alto do Brasil.
Problemas de saúde provocaram a amputação das duas pernas
O excesso de hormônio do crescimento também pode contribuir para o desenvolvimento de resistência à insulina. Ninão desenvolveu diabetes e enfrentou uma grave infecção óssea em uma das pernas, situação que acabou levando à amputação do membro em 2021.
No ano seguinte, ele conseguiu recuperar parcialmente a mobilidade com uma prótese disponibilizada por uma clínica localizada em João Pessoa, na Paraíba. Com o equipamento, voltou a realizar pequenas caminhadas.
Entretanto, em 2024, a infecção também comprometeu a outra perna. Diante da gravidade do quadro, foi necessária uma segunda amputação, deixando Joelison sem os dois membros inferiores.
Mesmo com as limitações, Ninão procurou manter sua autonomia e continuar realizando diferentes atividades. Sua mãe destacou que o filho sempre demonstrou independência e disposição para enfrentar os desafios cotidianos, inclusive conduzindo motocicleta e desempenhando tarefas que muitas pessoas considerariam difíceis em sua condição.
Em busca de novas próteses, Joelison decidiu pedir ajuda por meio de uma campanha nas redes sociais. A iniciativa chamou a atenção de uma clínica especializada de Sorocaba, no interior paulista, que aceitou participar do desenvolvimento dos equipamentos.
Equipamentos especiais foram desenvolvidos para suportar 185 quilos
A viagem da Paraíba até São Paulo também apresentou desafios. Divanilda demonstrou preocupação com as condições de embarque do filho no avião, mas Ninão conseguiu realizar o deslocamento até a clínica.
Ao chegar ao local, passou por uma avaliação detalhada para a fabricação das próteses. Inicialmente, os profissionais utilizaram moldes de gesso para reproduzir as medidas e características dos membros amputados.
Um dos principais desafios técnicos foi garantir que os equipamentos fossem capazes de sustentar as dimensões físicas de Joelison, que pesa aproximadamente 185 quilos. Por esse motivo, foi necessário realizar testes específicos de resistência.
As avaliações foram conduzidas na Rússia, por uma empresa especializada na fabricação de componentes protéticos. De acordo com o representante Dmitry Nizamov, os pés artificiais foram submetidos a testes para verificar sua capacidade de suportar cargas de até 700 quilos.
Nizamov explicou que a empresa nunca havia participado de um projeto com características semelhantes e considera possível que os componentes estejam entre as maiores próteses de pés já fabricadas no mundo.
Cada uma das próteses pesa aproximadamente seis quilos. Os pés possuem 38 centímetros de comprimento, equivalentes à numeração 60, e receberam reforços estruturais para garantir maior resistência.
O sistema de encaixe foi desenvolvido inicialmente com acrílico transparente, material que deverá ser substituído posteriormente por fibra de carbono. Outra característica é o revestimento de borracha com os dedos individualizados, permitindo que Ninão utilize sandálias e chinelos.
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Foto: Reprodução/TV Globo
Primeiros passos marcam nova etapa de recuperação
Durante a primeira experiência com os equipamentos, Joelison afirmou que os encaixes estavam confortáveis. Sob a orientação dos especialistas, iniciou exercícios para recuperar o equilíbrio e começou a caminhar com o auxílio de barras paralelas.
A fisioterapeuta Bárbara, responsável por acompanhar parte da reabilitação, observou que Ninão já apresentava força suficiente para manter a estabilidade corporal. Segundo a profissional, a prioridade do paciente é recuperar a capacidade de realizar as atividades que faziam parte de sua rotina antes das amputações.
O treinamento incluiu exercícios com pesos, obstáculos e uma bola. Em determinado momento, Joelison também tentou realizar embaixadinhas enquanto utilizava as barras paralelas como apoio.
A possibilidade de voltar a caminhar, mesmo que inicialmente por pequenas distâncias, foi recebida com entusiasmo. Ninão comemorou os resultados e demonstrou interesse em retornar à prática esportiva, especialmente às modalidades adaptadas.
Entre 2022 e 2024, ele integrou a Seleção Brasileira de uma modalidade esportiva adaptada. Agora, com a recuperação gradual da mobilidade, pretende voltar a participar dessas atividades.
Divanilda acompanhou emocionada o momento em que o filho conseguiu ficar de pé e dar seus primeiros passos com as novas próteses. Para ela, presenciar essa conquista representa uma felicidade difícil de descrever.
Após enfrentar anos de dificuldades, cirurgias e limitações físicas, Joelison resumiu em uma única palavra o significado de recuperar a possibilidade de caminhar: liberdade.
Fonte: G1

