Filha de idosa que teve prótese implantada no joelho errado no PR diz que médico tentou responsabilizar paciente: ‘uma culpa que não é dela’
Segundo a filha da idosa, o médico alegou que a paciente, já sob efeito de medicamentos de sedação, teria “insistido” para operar a perna direita. Idosa afirmou não se lembrar de nada.
Sabrina da Silva, filha de Marilda da Silva, afirmou que, em conversa com o médico após a cirurgia que implantou uma prótese no joelho errado da idosa, o profissional teria tentado “culpar” a paciente. Segundo Sabrina, o médico alegou que a idosa, já sob o efeito de medicamentos de sedação, “insistiu” para que o joelho direito fosse operado. O joelho que deveria passar pelo procedimento, no entanto, era o esquerdo.
“Expliquei tudo o que o médico tinha me falado e ela falou: ‘Em momento algum, eu lembro de ter falado isso. Eu não me recordo de ter falado isso’. […] Ela se culpou, porque eles imputaram uma responsabilidade, uma culpa a ela. Uma culpa que não é dela. Agora, além dos danos físicos, tem também o abalo emocional”, diz a filha da paciente.
Sabrina também relatou que não foi feita nenhuma marcação para sinalizar qual membro deveria ser operado. Segundo ela, o médico argumentou que a equipe fez um exame de imagem antes de iniciar a cirurgia, mas que o documento não ficou salvo no sistema e que ela não pôde ter acesso.
Sabrina afirmou que já foi chamada pelo hospital para uma reunião e que recorreu a um advogado para tratar da situação.
Conselho Regional de Medicina apura o caso
O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) afirmou em nota que acompanha o caso e que abriu uma sindicância para verificar a conduta da equipe responsável pelo procedimento. Disse ainda que, caso comprovada violação das regras éticas, as punições podem ir de uma advertência à cassação do registro profissional.
“O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informa que está acompanhando o caso e que instaurou processo de sindicância para apurar o ocorrido. Caso comprovada conduta violadora das regras éticas, as sanções previstas na Lei de criação dos Conselhos de Medicina vão desde advertência confidencial, podendo chegar à cassação do exercício profissional, a depender do grau de culpa e da gravidade das consequências apuradas.
Conforme estabelece o Código de Processo Ético-Profissional (Resolução CFM nº 2.306/2022), as sindicâncias e os processos ético-profissionais tramitam sob sigilo processual, garantindo às partes envolvidas os direitos constitucionais ao contraditório e à ampla defesa.”
O que diz o Hospital Cruz Vermelha
O Hospital Cruz Vermelha de Curitiba disse, em nota, que iniciou uma apuração interna para esclarecer o ocorrido e analisar os registros dos procedimentos adotados. Diz ainda que está programando a continuidade do acompanhamento da paciente por um médico ortopedista da equipe.
“O Hospital Cruz Vermelha do Paraná informa que, ao tomar conhecimento dos fatos relatados pelos familiares da paciente, iniciou imediatamente uma apuração interna, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias envolvidas, mediante análise técnica dos registros assistenciais e dos procedimentos adotados.
A instituição acompanhou a alta hospitalar e a evolução inicial da paciente, mantendo contato com seus familiares e adotando as providências necessárias à continuidade da assistência.
Considerando a interrupção da relação médico-paciente com o profissional anteriormente responsável, o Hospital está programando a continuidade do acompanhamento por médico ortopedista de seu corpo clínico, incluindo a avaliação e a programação do tratamento fisioterapêutico, no momento oportuno, conforme indicação médica.
Em respeito ao sigilo médico, à privacidade da paciente e à legislação vigente, informações clínicas específicas não serão divulgadas.
O Hospital reafirma seu compromisso com a segurança e a qualidade da assistência prestada, bem como com a apuração responsável dos fatos e a adoção das medidas eventualmente cabíveis.“


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