João Vitor Domingues Romeiro foi preso pelo feminicídio de Gassi Mazia, em Maringá. O g1 procurou a defesa do homem, mas não houve retorno.
Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil (PC-PR) indiciou João Vitor Domingues Romeiro, de 25 anos, por feminicídio e abandono de incapaz.
Ele foi preso em flagrante pelo assassinato da médica Gassi Mazia, de 37 anos, em Maringá, no Norte do Paraná, com quem tinha um relacionamento e um filho. O bebê, de oito meses, foi deixado sozinho com o corpo da mãe — o que, para a polícia, caracterizou o abandono.
O inquérito foi relatado na terça-feira (22). Nesta quinta-feira (24), o Ministério Público do Paraná (MP-PR) confirmou ter recebido a conclusão para aná e disse que deve solicitar a manutenção da prisão preventiva do homem.
O crime aconteceu no dia 5 de setembro, quando Gassi foi esfaqueada e encontrada morta no apartamento em que morava. João foi preso em flagrante em Mandaguari, a 32 quilômetros de distância, com diversos ferimentos.
Ele permaneceu internado em um hospital até receber alta, no dia 10 de setembro, quando foi encaminhado à 9ª Subdivisão Policial e chegou usando uma cueca para esconder o rosto.
Segundo o MP, João invadiu o imóvel e “executou covardemente” Gassi porque não aceitava o fim do relacionamento. A informação foi destacada pela promotoria ao manifestar-se pela prisão preventiva dele, que foi aceita pela Justiça.
Como o caso chegou à polícia
O assassinato da médica foi comunicado à Polícia Militar (PM-PR) por uma familiar de João Vitor, que o ouviu confessar ter cometido o feminicídio.
Em depoimento à Polícia Civil, a testemunha explicou que, na noite do dia 5 de setembro, João enviou mensagens perguntando se ela estava em Mandaguari, a 32 quilômetros de distância de Maringá. Depois, ligou para a familiar e pediu o endereço da casa dela. Até então, ninguém sabia da morte da médica.
Ao chegar, ele estacionou o carro no pátio do imóvel e, ainda dentro do veículo, disse à mulher que havia assassinado Gassi.
“Ele falou para mim que ele e a Gassi tinham brigado e que ele tinha matado ela”, contou a testemunha em depoimento à polícia.
Ao saber do caso, a família acionou a PM e chamou o Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate), porque João estava com ferimentos na região do pescoço.
Após a chegada da PM, o marido recebeu voz de prisão em flagrante pelo crime de feminicídio e foi internado em um hospital, sob escolta policial.
Carro em que João Romeiro foi encontrado ferido. — Foto: Reprodução
Como o corpo foi encontrado
Após a PM de Mandaguari prender João Vitor em flagrante, a corporação de Maringá foi até o apartamento onde Gassi morava. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) já estava no local e havia confirmado a morte da mulher.
O corpo dela havia sido encontrado, primeiro, por outro familiar que soube do assassinato e foi ao endereço. Foi ele também que encontrou o filho de oito meses do casal, deixado sozinho no imóvel onde o crime aconteceu.
Conforme o boletim de ocorrência, Gassi estava caída e de bruços. Havia três facas ao lado do corpo da médica. O delegado Adriano Garcia informou que a vítima aparentava ter aproximadamente 10 marcas de golpes.
O sepultamento dela aconteceu na manhã do dia 7 de setembro.
Qual foi a motivação
Até a última atualização desta reportagem, a investigação inicial mostrou que João não aceitava o fim do relacionamento com Gassi e cometeu o feminicídio.
A informação está na manifestação do Ministério Público (MP-PR), que solicitou que a prisão em flagrante de João fosse convertida em preventiva. O pedido foi aceito pela Justiça no domingo (6).
Segundo o MP, João invadiu o imóvel e “executou covardemente” Gassi. Há a suspeita de que ele tenha passado algumas horas com o corpo da vítima no local, antes de sair do apartamento e deixar o filho de oito meses sozinho.
“A gravidade concreta do crime perpetrado por João Vitor Domingues Romeiro transborda os limites da barbárie ordinária. De acordo com o apurado restou preliminarmente identificado que o autuado, por não aceitar o término do relacionamento com sua ex-companheira, invadiu o apartamento desta e a executou covardemente. Mais do que o ato em si, a frieza e a crueldade demonstradas na execução do crime chocam e justificam a prisão preventiva”, diz a manifestação.
A manifestação do MP é baseada nos depoimentos colhidos dos policiais militares que atenderam à ocorrência e nas informações prestadas pelas testemunhas.
A Polícia Civil (PC-PR) não divulgou oficialmente a motivação do crime. O delegado Adriano Garcia informou apenas que João tentava reatar o relacionamento com Gassi.