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Servidora é suspeita de emitir cartões de programa social em nome de pessoas falecidas para usar o benefício em Ponta Grossa

Uma servidora da Prefeitura de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, é suspeita de emitir cartões de um programa social do município em nome de moradores sem o conhecimento deles, inclusive de pessoas falecidas, para usar o benefício junto com o marido.

Os nomes deles não foram divulgados.

As investigações da Polícia Civil apontaram que, entre novembro de 2025 e julho de 2026, a mulher emitiu mais de 100 cartões e desviou mais de R$ 22 mil do programa PG+Humana, que dá R$ 220 por mês para famílias em vulnerabilidade social que vivem no município.

Segundo a corporação, a mulher trabalhava em uma unidade do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), onde tinha acesso aos dados de pessoas de baixa renda que ainda não tinham solicitado o benefício do PG+Humana.

Com essas informações, ela solicitava os cartões em nome desses moradores e usava o dinheiro para benefício próprio. Prints coletados pelas investigações mostram conversas do casal anotando os gastos e combinando compras para ir à praia.

A suspeita em relação à fraude começou depois que uma pessoa procurou a Fundação de Assistência Social de Ponta Grossa para solicitar o benefício e servidores notaram que aquela pessoa já era beneficiária. A partir disso, a prefeitura fez uma auditoria interna e levou o caso às autoridades.

“Gerou a suspeita da irregularidade, porque constava no sistema que esse cartão já estava com a pessoa e a pessoa estava utilizando regularmente, mas a pessoa afirmava categoricamente que nunca havia feito essa requisição”, explica o delegado Derick Moura Jorge.

Junto com a prefeitura, a Polícia Civil fez um levantamento de todos os cartões que aparentavam algum tipo de irregularidade, ouviu os beneficiários para conferir se eles tinham ou não requisitado e confrontou os dados dos cartões com as imagens de câmera de segurança dos estabelecimentos.

Os registros mostraram a servidora e o companheiro dela usando os cartões registrados em nome de terceiros, conforme o delegado.

“Quando os cartões chegavam, ela falsificava a assinatura deles no termo de recebimento e, a partir de então, passava a utilizar esses cartões para fins particulares, para a compra de produtos alimentícios, itens para residência, eletrodomésticos, pagamento de contas pessoais… Então teve uma ampla gama de usos indevidos que ela realizou”, detalha Jorge.

Servidora continua trabalhando

A servidora foi afastada da função que ocupava antes e atualmente trabalha em outro setor, no qual não tem acesso aos sistemas e aos cartões do programa.

A servidora e o marido dela foram indiciados pelos crimes de peculato e inserção de dados falsos em dispositivo de informações.

Eles não foram presos porque a Polícia Civil considerou que, com o afastamento dela da função, a conduta ilícita foi impossibilitada.

A Prefeitura de Ponta Grossa informou que tomou todas as medidas judiciais cabíveis, que foi uma ação isolada de uma servidora e que não representa o trabalho sério feito pela Fundação de Assistência Social de Ponta Grossa. Disse ainda que os mecanismos de fiscalização seguem em constante aprimoramento.

Cartão PG+Humana, programa voltado para famílias em situação de vulnerabilidade social em Ponta Grossa — Foto: Prefeitura de Ponta Grossa
Cartão PG+Humana, programa voltado para famílias em situação de vulnerabilidade social em Ponta Grossa — Foto: Prefeitura de Ponta Grossa

 

Maria Paula Carnelossi

Por: Maria Paula Carnelossi | Folha Regional

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