Chuvas intensas desafiam gramados do Brasileirão; estádios buscam adaptação
Sequência de episódios de chuva forte no Sul e Sudeste, regiões de 85% dos clubes da Série A, aumenta necessidade de manutenção e faz arenas estudarem mudanças em drenagem
O que a água faz com o gramado?
Em excesso, a água pode saturar o solo, reduzir sua capacidade de drenagem, diminuir a oxigenação das raízes da planta e comprometer a estabilidade do gramado. A grama fica mais fraca. A superfície do campo se torna mais vulnerável ao pisoteio dos jogadores.
— O problema ocorre quando a chuva chega mais rápido do que o sistema consegue drenar. O solo encharcado fica mais mole e perde resistência. Isso facilita o surgimento de buracos, o desprendimento de pedaços de grama e as deformações durante o jogo — explicou Roberto Gomide, CEO da World Sports, empresa especializada na construção e manutenção de gramados esportivos.
A sequência de chuva e jogos também diminui o tempo de recuperação do gramado, o que impacta diretamente as condições para o futebol. E o campo não deve ser avaliado só pela aparência, é preciso medir fatores como umidade, resistência e uniformidade da superfície.
— Com muita chuva, a grama começa a formar alga, o campo fica solto. Todo jogo que acontece durante chuva pesada o dano é muito maior, a durabilidade ou carga de uso que o campo aguenta é muito menor. O solo saturado estraga muito mais o gramado. E sem sol, não consegue recuperar — comentou a engenheira agrônoma Maristela Kuhn, cujo escritório é especializado em campos esportivos.


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