Moradora volta de viagem, encontra ninho de urubu na churrasqueira e descobre que não pode ‘expulsá-lo’ do apartamento
Relato da situação viralizou nas redes sociais. Segundo o IAT, período reprodutivo da espécie vai de julho a dezembro e, depois que o ninho é feito, ele fica protegido por lei.
A ceramista Micaela La Falce, de Cascavel, no Oeste do Paraná, voltou de uma viagem de dez dias e descobriu que tinha ganhado um novo “morador” no apartamento. Um urubu escolheu a churrasqueira da sacada de Micaela para fazer um ninho.
A história, contada por ela nas redes sociais, viralizou. O que começou como uma visita inesperada, porém, ganhou um detalhe que Micaela não imaginava: depois que a ave fez o ninho, ela não poderia retirar o animal ou a estrutura.
“Vida nova, casa nova e um urubu de estimação que a lei não me permite despejar”, brincou Micaela no vídeo.
Segundo o Instituto Água e Terra (IAT), depois que o urubu se instala e faz o ninho, o local passa a ser protegido pela legislação ambiental. A orientação é não mexer no animal, nos ovos ou no ninho e procurar o órgão ambiental.
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Depois de descobrir que não poderia “despejar” o novo inquilino, Micaela decidiu batizá-la. O nome escolhido foi Úrsula.
Há uma semana, Micaela divide a sacada com o urubu. Segundo o IAT, a previsão que a ave e a cria deixem o local pode variar de dois a três meses.
Enquanto isso, a moradora deve evitar acessar a sacada do imóvel, e não pode alimentar nem oferecer água ao animal, para não impactar no instinto natural dele.
O hóspede que decidiu ficar
Segundo a moradora, o apartamento é novo e ainda estava sendo organizado. Micaela voltou de viagem com planos para finalmente começar a aproveitar a casa, inclusive receber os amigos.
Ela só não contava com o novo inquilino. Ao chegar em casa, encontrou o urubu dentro da churrasqueira. A princípio, achou que a ave iria embora sozinha. Na manhã seguinte, porém, ela continuava no mesmo lugar.
Foi então que a moradora começou a desconfiar de que havia um motivo para a ave não querer abandonar a churrasqueira. Ao olhar novamente o local, encontrou um ovo.
“Ela montou ali o ninho, residência fixa, e é isso”, brincou.
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Sem saber como lidar com a situação, Micaela procurou ajuda. Entrou em contato com os bombeiros e com a área ambiental na expectativa de que algum profissional pudesse retirar o animal ou indicar uma forma segura de fazê-lo deixar a sacada. A orientação, no entanto, foi esperar.
O Instituto Água e Terra confirmou que a moradora não deve interferir no ninho. Uma equipe do órgão esteve envolvida no atendimento do caso e conversou com Micaela e com o síndico do prédio.
Segundo Vinícius Góes, médico-veterinário do IAT em Cascavel, os urubus entram em período reprodutivo entre julho e dezembro. Nesse período, é comum que procurem locais protegidos para construir os ninhos.
“É um animal que tem uma plasticidade incrível e acaba se adaptando, mesmo em áreas urbanas”, explicou.
Por que ela não pode tirar o urubu?
O urubu é um animal silvestre protegido pela legislação ambiental e tem uma função importante no ecossistema, segundo o IAT. A ave se alimenta de matéria orgânica em decomposição e ajuda na limpeza do ambiente. Por isso, depois que o animal se instala e faz o ninho, a orientação é não interferir.
Segundo Góes, a Lei de Crimes Ambientais estabelece pena de seis meses a um ano de detenção, além de multa, para quem danifica ou destrói ninho, abrigo ou criadouro natural de animais silvestres.
“Após o animal ter se instalado, nidificado, esse abrigo se torna protegido pela Lei de Crimes Ambientais”, explicou.
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Na prática, Micaela terá que esperar o ciclo reprodutivo terminar para voltar a usar normalmente a churrasqueira.
E ainda não há uma data definida para isso.
A equipe do IAT visitou o local e conversou com a moradora e com o síndico do prédio.
Situação poderia ter sido evitada
Apesar de inusitado, o caso poderia ter sido evitado com uma medida simples, segundo o IAT.
Góes explica que moradores de apartamentos com churrasqueiras ou outros espaços abertos devem instalar tampas ou barreiras que impeçam a entrada das aves quando o local não estiver sendo usado.

